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Uma inusitada lembrança do continente Africano

Quando desembarquei de volta ao Brasil, após 22 dias de viagem pela África, estava pronto para iniciar uma nova fase em minha vida. Antes da viagem, havia aceitado um convite para um novo trabalho e isto implicava na mudança de Campinas para o Rio de Janeiro e eu teria apenas uma semana para finalizar minhas atividades no antigo trabalho, organizar minha mudança e desembarcar em um novo desafio em uma nova cidade.

Havia sido uma das grandes viagens de minha vida, mergulhando em um mundo desconhecido, que não se vê na TV, onde as estatísticas são sempre negativas e a maioria das pessoas prefere nem saber que existe. Estava bastante contente e ansioso em dividir com os amigos minhas experiências, mostrar as fotos que relatavam cenas inacreditáveis do estilo de vida, da simplicidade quase primitiva que nos faz refletir na vida de consumo e desperdício que vivemos.

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Tudo estava indo bem, algumas despedidas com os colegas do trabalho, amigos e a casa inteira dentro de caixas aguardando o caminhão de mudança. Contudo, para minha surpresa, 4 dias antes do início na nova empresa tive durante a noite um súbito mal estar que chegou como uma avalanche de febre que beirava os 40º acompanhados de um intenso tremor capaz de sacudir um prédio de 10 andares.

Antes de embarcar para a África procurei me informar dos riscos que a região oferecia, foi preciso certificar que a vacina de Febre Amarela estava dentro de seu prazo de validade, e fiquei sabendo que Mali e Senegal são países com grande incidência de casos de Malária. Embora haja medidas preventivas, nenhuma delas garante a imunização completa contra a doença que é transmitida pelo mosquito Anopheles. Durante a viajem eu parecia ser alertado a todo instante dos riscos em contrair esta doença, durante os dias que estive em Dakar ao pedir informações a uma pessoa na rua e após alguns minutos de conversa este me convenceu a comprar uma tela contra mosquitos que eu deveria usar todas as noites enquanto estivesse no Mali, em outro momento, um grupo de residentes médicos franceses que trabalhavam em Bamako (Capital do Mali) me mostraram alguns comprimidos profiláticos que apesar de causar desagradáveis efeitos colaterais não garantiam a eficácia da prevenção contra à Malária.

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Apesar de todos estes alertas, fui capaz de ignorá-los por uma única noite, onde o insuportável calor que fazia dentro de um quarto na cidade de Djenné, toda construída em Adobe, me forçou a dormir em cima da laje da casa, onde não era possível armar a rede de proteção. Não é possível ter certeza, mas tenho a convicção que foi nesta noite, onde fui picado apenas 3 vezes por mosquitos que contrai a temida Malária.

Não foi fácil chegar a este diagnóstico, o primeiro médico que procurei, apesar de relatar que estava vindo de uma área com risco de Malária foi negligente em me informar que não devia me preocupar pois se tratava de um simples resfriado. Com o quando se agravando a cada hora, procurei um segundo atendimento que mostrou imensa preocupação quando informei que vinha da África. Nos primeiros exames, embora não tenha sido diagnosticado a doença fui orientado a me internar pois os resultados apontavam algo potencialmente grave. Felizmente fui encaminhado ao Hospital Universitário da Unicamp que conta com uma enfermaria para doenças infecciosas e tive um rápido e preciso diagnóstico de Malária Falciparum, a forma mais grave que é responsável por cerca de 90% das mortes causadas por este tipo de doença.

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Recebi um excelente tratamento e em poucas semanas já não apresentava mais sintomas aparentes e pouco mais de um mês depois pude finalmente mudar para o Rio de Janeiro e dar seguimento a minha vida normal. Contudo, fiquei pensando na sorte que tive por estar no Brasil e por ter tido acesso ao tratamento que recebi. Caso a doença se manifestasse enquanto viajava pela África tenho quase certeza que estaria agora engrossando as estatísticas globais de óbitos por Malária.

Autor: Mário Neubern
E-mail: [email protected]
Site: http://www.marioneubern.nafoto.net

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Escrito por Mauricio Oliveira

Maurício Oliveira é social media expert, consultor e influenciador de turismo e empreendedor. CEO do portal Trilhas e Aventuras, também conta suas experiências de viagens pessoais no blog Viagens Possíveis. Especialista em Expedições na Rota das Emoções e Lençóis Maranhenses. Ama o que faz no seu trabalho e nas horas vagas também gosta de viajar. Siga no Instagram, curta no Facebook, assista no Youtube.

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