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Torres del Paine – o W da questão

Torres del Paine, na Patagônia chilena, é como uma meca mundial do trekking – uma vez na vida, ao menos, quem gosta de caminhar precisa passar por ali. E tendo visitado uma vez, é difícil não querer voltar. São centenas de turistas das mais diversas partes do mundo, em busca dos famosos circuitos – conhecidos como “W” (76km, 4 ou 5 dias), do qual trato aqui, e o “O” ou Circuito Grande (93Km, pelo menos 7 dias). Mas os menos dispostos podem fazer caminhadas de 1 dia, e voltar para os “refúgios” (hotéis bem simples e exorbitantemente caros) e “hosterias” (mais caras ainda) em locais estratégicos, mas ainda assim exigindo boas horas de caminhada até os principais pontos. Ou pagar fortunas para tours de barco ou ônibus, que param 5 minutos para fotos em locais estratégicos e bem distantes do “coração” do parque.

Até o início da aventura propriamente dita, gasta-se bastante tempo – e dinheiro. Normalmente chega-se de avião por Punta Arenas, exigindo um transfer de 3h até Puerto Natales, onde pode-se fazer as compras necessárias, e depois são mais 2h de ônibus até o parque. No caminho, grandes rebanhos de ovelhas, algumas avestruzes e os guanacos próximos ao parque fazem com que estes dias não sejam totalmente perdidos. Ah sim, como decidimos começar o “W” pelo lado oeste, há ainda um transfer de catamarã de uns 30min – com o grande benefício que aqui, já estamos dentro do parque e a vista das montanhas conhecidas como “Los Cuernos” é magnífica, dando uma idéia do que está por vir. Toda esta viagem já consumiu pelo menos 2 ou 3 dias (Nota: várias pessoas também chegam a Puerto Natales por El Calafate, na Argentina, distante umas 5h de ônibus). Talvez por todo este tempo gasto em preparação e deslocamento, uma vez nas trilhas, é comum ser quase atropelado por trekkers com mochilas de 20kg nas costas, correndo para completar os circuitos.

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Começando pelo oeste, o W parte do Refugio e Camping Pehoé (muito bem estruturado), em direção ao Glaciar Grey, em 11km. O caminho é cheio de subidas e descidas, exigindo um pouco de esforço mas sem dificuldade técnica. Claro que, com um mochila de 20kg, com barraca, comida, saco de dormir, etc, o caminho fica mais árduo. As vistas são impressionantes. Pode-se marcar ¼ do caminho no primeiro mirante, na laguna dos patos, de azul bem escuro. O ponto alto da trilha (literal e figurativamente) marca a metade do trajeto: dali se tem a vista do lago, de águas esmeraldas, e o Glaciar ao fundo. Brasileiros acostumados a praias e florestas tropicais poderão “gastar” vários minutos admirando enormes blocos de gelo desprendidos, flutuando no lago. O resto do caminho leva ao Refugio e Camping Grey, e a outro mirante, bem próximo a uma das três vertentes do glaciar.

Aqui, quem tem tempo de sobra pode optar por outra experiência única: uma caminhada pelo gelo. Após um curto transfer num bote Zodiac, e com os devidos equipamentos (crampons, piolet, luvas e roupas impermeáveis) começa-se a andar em cima do glaciar. As paisagens são indescritíveis. Fendas, rios, paredes de gelo, pequenos lagos congelados, cavernas, fazem parte de um relevo em constante mutação.

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Para quem não está no Circuito Grande, volta-se ao Pehoé (o que só pudemos fazer no dia seguinte, uma vez que a caminhada no gelo dura a tarde toda. Aliás, “tarde” pode ser um período bem amplo por lá. No verão, não escurece antes das 22h). Dali, segue-se em direção à perna do meio, o Vale do Francês. A primeira parte segue até o Acampamento Italiano, numa caminhada sem grandes esforços em 1h30. Aqui o vento é mais inclemente que o normal: em determinados momentos pode ser complicado ficar de pé. Arrastando as águas do lago Skottsberg, ele forma ondas, e levanta gotículas em imensas nuvens (semelhante às de areia no deserto), por vezes desenhando arco-íris efêmeros.

O espetáculo da natureza deve inspirar forças, pois começa uma subida mais árdua: do Acampamento Italiano ao Britânico, o caminho é inclinado e passa por um trecho de pedras. Nesta etapa, o tempo mudou diversas vezes. Nuvens carregadas anunciavam chuva, mas foram levadas pelo vento, que não tardou em trazer outras, encobrindo todo o local e trazendo os primeiros pingos. No coração do vale, você está cercado por imensas torres em todos os lados, e com a vista do lago Nordenskjold na entrada no vale. Não é legal ter nuvens fazendo uma cortina. Logo que começamos a descer, o tempo voltou a abrir e conseguimos tirar ótimas fotos.

Como a caminhada no gelo nos tomou tempo, chegamos aqui ao W da questão: o circuito nos levaria até o Refugio Los Cuernos, e dali a Las Torres. Decidimos que era um dia que não dispúnhamos. Entre cumprir o trajeto à risca, colocando em risco sua parte final (as torres!) e aproveitar melhor o parque, mesmo “trapaceando”, ficamos com a segunda opção. Do Francês voltamos ao Pehoé, em passo acelerado para pegar o catamarã das 18h30, que nos levaria de volta à estrada principal, onde pegaríamos um transfer até a Laguna Amarga e finalmente uma van para o Refugio Las Torres. Cada meio de transporte é absolutamente sincronizado com o seguinte. Aliás, aqui abro parênteses para a administração: as trilhas são em sua maioria bem marcadas, vários trechos vêm sendo reformados, a limpeza é total (achamos apenas uma guimba de cigarro, e nenhum papel ou saco em todos os dias) e é fácil achar informações nos refúgios e guarderias. Ponto negativo apenas para os preços dos transfers e refúgios, e às estimativas de tempo nos mapas e placas. Elas podem diferir em até uma hora de uma fonte para outra, e em grande parte achamos que elas deveriam ter mais folga (e vale lembrar que todas as indicações de tempo são apenas para ida!)

E assim chegamos ao último dia: sem uma única nuvem no céu, partimos em direção ao Refugio Chileno. Uma subida muito íngreme, totalmente descampada, levou os ânimos para os mais baixos níveis na viagem. Os turistas mais abastados que passaram ao lado, de cavalo, não contribuíram para melhorar este quadro. Mas ao final da subida, depara-se com o Vale Ascencio, e avista-se a construção na beira do rio, resgatando o fôlego e disposição de quem já estava há 15 dias caminhando pelo Chile. O caminho continua sem maiores dificuldades por mais 1h30 até o camping Torres, através de um bosque de lengas (árvore típica da patagônia), onde se avista diversos pássaros. Por levar ao local que dá nome ao parque, e por estar próximo a um hotel luxuoso, esta área é a mais movimentada. Pode ser um pouco frustrante ouvir o barulho constante de bastões de trekking, ao mesmo tempo que é animador passar por casais idosos, com calma e perseverança para subir o que posso descrever como uma grande avalanche de pedras, por cerca de 45 minutos, na etapa final. E então, derepente as torres de granito surgem, imensas, imponentes, rasgando o azul do céu, cobertas por gelo em suas bases, que teima em não derreter em pleno verão.

Se nossa decisão tivesse sido outra que não sair do circuito, poderíamos ter sido obrigados a fazer o caminho em curtíssimo tempo, não podendo desfrutar daquela visão por algumas horas, ou ainda perdido as Torres, pois um vôo estava à espera em Punta Arenas. Podemos nos gabar de ter passado por (e aproveitado plenamente) cartões postais incríveis, e mais ainda por experiências inesquecíveis, num cenário onde a natureza colocou todo o seu esplendor.

Veja o local pelo Google Maps


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Autor: Rafael Serpa
E-mail: [email protected]
Site: http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=17260853444528850242

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Escrito por Mauricio Oliveira

Maurício Oliveira é social media expert, fotógrafo, videomaker, consultor de turismo, blogueiro, influenciador e empreendedor. CEO do Trilhas e Aventuras, conta suas experiências de viagens no blog Viagens Possíveis e criador de inovadoras ações de marketing de turismo, o BlogTur e o VIPBloggers. Ama o que faz no seu trabalho e nas horas vagas também gosta de viajar. Siga no Instagram e no Twitter, curta no Facebook, assista no Youtube e circule Mauricio Oliveira e Trilhas e Aventuras no Google Plus.

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