Sou totalmente avesso a tours guiados. Gosto de fazer meu roteiro, mudá-lo quando bem entender, e permanecer quanto tempo achar necessário em cada lugar visitado. Por isso, quando planejei nossa viagem ao Chile, não hesitei em incluir aluguel de carro entre os custos. As distâncias às principais atrações são grandes e eu não queria ficar refém das agências. Pois bem. Mal sabia que havia acabado de transformar o passeio em uma experiência única.

Alugamos carros em dois trechos distintos. Em Calama, destino principal de quem chega de avião indo à San Pedro de Atacama, já saímos de carro do aeroporto em direção à vila no deserto. As condições do asfalto são perfeitas e o tráfego é pequeno, o que te dá tranqüilidade para aproveitar a viagem em si: o vento inclemente que joga ao carro para os lados, a paisagem indescritível em 360º, e porque não, as várias “casinhas” ao longo da estrada, erguidas pelos familiares dos que ali morreram em acidentes.

Depois notamos que este é um costume absolutamente comum em todo o norte chileno (e que as homenagens chegam a ser quase obras de arte, tal o refinamento de algumas!). Tão ou mais comuns são os pedaços de borracha jogados na beira da estrada. Provavelmente o calor excessivo dá conta de provocar um maior desgaste mas, por sorte, não tivemos problemas com os pneus. São aproximadamente 100km em pouco mais de 1h, com várias paradas para foto e, dependendo do seu horário de chegada, uma entrada no Vale da Lua para apreciar o por do sol.

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Em San Pedro de Atacama há um único posto de gasolina (nas estradas não achei nenhum), que fica bem concorrido em alguns momentos. Sempre mantendo o tanque cheio, é fácil partir para diversos passeios. Para quem quer conhecer “o básico”, é muito fácil chegar ao Vale da Morte e da Lua, a algumas vilas e ao Salar de Atacama, todos com caminhos bem sinalizados no asfalto e, em seguida, estradas de terra em boas condições.

Do salar, estica-se mais um pouco a viagem, por estradas já não tão boas, em direção às lagunas altiplânicas. Aqui, vale um alerta: você está indo à 4.200m de altitude (San Pedro fica a 2 mil e poucos). As conseqüências são imprevisíveis, podendo variar de um pequeno mal estar a dores de cabeça e estomacais fortes. É recomendável ter mais de um motorista no carro, e em caso de problemas, a solução é “descer” imediatamente, para aliviar os sintomas.

Não tive nada a além de uma levíssima dor de cabeça (ao contrário da minha namorada), e aproveitei cada momento do caminho, que passa por diversos povoados, como Toconao e Socaire, com suas construções típicas, alguns oásis onde surgem rios, árvores e animais como a vicuña (um camelídeo que me lembra o Bambi), os vulcões Licancábur e Lascar ao fundo, e muito vento.

Mas a maior diversão está guardada para os que se arriscam mais: converse um pouco na cidade e você receberá dicas e mapas de como chegar aos locais menos sinalizados. Se você está de pick-up, não perca a laguna Tebinquinche (essa grafia varia um pouco em cada agência e na internet). É totalmente coberta de sal, numa superfície lisa e extremamente branca, mais impressionante que o Salar de Atacama, que é muito mais visitado. Aqui, depois de sair do asfalto, pega-se uma estrada de terra, onde minha referência era “vire à esquerda numa árvore sozinha”.

Ok, não foi tão difícil avista a árvore depois de um tempo e continuar por outra estrada, ainda mais precária, até chegar aos lindos Ojos de Salar, duas lagoas circulares e gêmeas, uma ao lado da outra. Daí para a frente (na verdade, já um pouco antes), não há nada que se possa chamar de estrada. Os caminhos estão definidos pelas marcas de pickups e vans que estiveram ali antes, e você vai seguindo as marcas que desejar (ou cria as suas) em direção à lagoa. Estar sozinho neste local, sem a indesejável companhia de outros turistas, podendo estender a permanência até enjoar de tantas fotos com o Licancábur refletindo nas águas salgadas, vale qualquer preço.

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San Pedro, apesar do nome, não fica propriamente no deserto de Atacama, e lá pode chover bastante, num fenômeno chamado de inverno altiplânico ou boliviano. A estrada principal chegou a ser fechada por um rio de lama que se formou, e tivemos que seguir por caminhos alternativos na terra.

Na segunda parte da viagem, fomos conhecer o litoral chileno, voltado para o Oceano Pacífico. Da cidade de Copiapó, parte-se pela Ruta 5, plenamente asfaltada, em direção a Caldera, no litoral. Na cidade em si não tem nada para ver, mas serve de base aos demais pontos de visita. Aqui já se nota um número maior de caminhões e ônibus, e algumas construções à beira da estrada, assim como os sempre presentes santuários.

De Caldera, para o sul, são poucos quilômetros em asfalto até Bahia Inglesa, uma das mais bonitas praias do Chile. Ela é bastante freqüentada, com muitos turistas chilenos aproveitando o verão. Tudo muito lindo, mas gente demais pro meu gosto: continua-se para o Sul e o asfalto some, dando lugar a estradas de terras em boas condições. Aqui, parte-se para uma seqüência de praias, e a qualquer momento você pode simplesmente tirar o carro da estrada principal e fazer sua trilha ao ponto que desejar, seja para tirar uma foto ou para aproveitar o mar gelado sem ninguém por perto. A areia pode ser escura, quase preta, mais clara, mas sempre muito fofa, ou até mesmo de pequenas conchas.

É comum encontrar áreas com diversos campings, geralmente cobertos por um pano preto e treliçado, que permite a passagem do vento mas bloqueia o sol. Apelidamos essas áreas de “MST”, pois o efeito visual é bem feio, parece mesmo uma área de ocupação. Mas dentro das tendas, lá estão os chilenos com seus carros, barracas, e até cozinhas, verdadeiras casas de veraneio improvisadas.

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Seguindo as placas, chega-se até a Playa de las Virgens, que é paga, cheia, mas vale a visita: uma pequena faixa de areia em uma área em “u”, como uma pequena baía. Detrás, como sempre, quilômetros de área desértica, totalmente seca, em contraste com o azul profundo do mar do Pacífico.

No dia seguinte, caminho inverso: de Caldera rumo ao Norte, Parque Nacional de Pan de Azucar. Lá, já são 11 anos sem uma gota d’água. No caminho, novamente pela Ruta 5, mais uma infinidade de praias desertas, até Chañaral, onde toma-se a estrada de terra para o Parque, e também dali para frente.

É imperdível seguir de carro até o mirante, de onde se tem uma vista incrível, e mais ainda à “Las Lomitas”. O caminho exige o máximo do amortecedor: o carro vai sempre batendo na estrada precária, passa por diversos buracos e sobes e desces até chegar a um ponto mais de 200 metros acima do mar, em meio a um planalto desértico. Fique atento para avistar os zorros (pequenas raposas) e vicunãs no caminho: eles se camuflam junto à paisagem árida, e fogem rapidamente a qualquer ameaça de aproximação. Existem também diversos pássaros que podem ser avistados ao longe.

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Dirigir no deserto chileno é uma sensação indescritível. Cruzar montanhas, dunas, salares, beirar vulcões, sempre tendo como fundo um horizonte a perder de vista, dado à imensidão da zona árida. E quando acaba o asfalto, começa a diversão: estradinhas de terra, areia, trilhas que levam a locais isolados, onde você pode estar sozinho no meio de uma paisagem de outro mundo! Diversas outras rotas podem ser feitas, partindo de Calama (Salar de Tara, Bolívia, Argentina…) e Copiapó (Parque Nevado de Três Cruces). E, se você está viajando em grupo, dividindo um carro entre 4 pessoas, os custos ainda ficarão muito abaixo de uma agência de viagens, com experiências muito melhores!

Autor: Rafael Serpa
E-mail: [email protected]

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Escrito por Mauricio Oliveira

Maurício Oliveira é social media expert, fotógrafo, videomaker, consultor de turismo, blogueiro, influenciador e empreendedor. CEO do Trilhas e Aventuras, conta suas experiências de viagens no blog Viagens Possíveis e criador de inovadoras ações de marketing de turismo, o BlogTur e o VIPBloggers. Ama o que faz no seu trabalho e nas horas vagas também gosta de viajar. Siga no Instagram e no Twitter, curta no Facebook, assista no Youtube e circule Mauricio Oliveira e Trilhas e Aventuras no Google Plus.

Comentários

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  1. Olá, pessoal!
    Fizemos uma viagem de carro em janeiro de 2015 ao deserto do Atacama. Ao todo rodamos mais de 18mil km.
    Temos um site onde relatamos a nossa viagem e damos dicas para quem quer viajar de carro pelo Deserto e para América do Sul.

    Fizemos este post informando, com detalhes, como e se é possível visitar cada atração do deserto de carro, de forma independente das agências de turismo:
    http://terraadentro.com/2015/02/21/deserto-do-atacama-de-carro/

    Aguardamos a visita de vocês!
    Abraços,

    Henrique e Sabrina

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