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Saiba mais sobre o Rapel

Vem acontecendo, de uns tempos pra cá, verdadeiros absurdos em relação a um termo muito difundido entre atividades como escalada, espeleologia e canyoning: o “Rapel”.

Rapel é uma palavra que em francês quer dizer “chamar” ou “recuperar” e foi usada para batizar a técnica de descida por cordas, praticada em montanhismo, escalada, canyoning e em outras atividades afins. Entretanto, este termo tem sido muito mal empregado ultimamente, na maioria das vezes, por leigos e iniciantes. Essas pessoas teimam em transformar o que é substantivo (Rapel é um nome dado a uma simples técnica), em adjetivos extremamente mal empregados como “Rapeleiros” e “Rapelistas”.

O que ocorre, na verdade, é que está se tendo uma noção errada do que é Rapel. Atualmente no Brasil, fala-se em Rapel como se fosse um esporte e muita gente o tem feito como “finalidade” e não como um “meio”, o que realmente um Rapel é. É claro que não se pode condenar uma pessoa por querer fazer um rapel por simples prazer em uma ponte, viaduto ou cachoeira. Grave é querer transformar uma simples técnica de descida por cordas em esporte, quando não é.

É inverossímil atribuir o significado de esporte a um conhecimento técnico que sozinho significa muito pouco. Passar a corda em um aparelho oito, se prender a uma cadeirihna e descer, chega a ser ridículo diante dos tantos outros conhecimentos técnicos necessários para tornar seguro um rapel.

Na Escalada se realiza um rapel ou para retornar à base de uma via, após ter sido concluída, ou para acessar por cima o início de uma via, se desta forma for mais rápido e fácil. Além de significar uma pequena parte do conhecimento necessário a um escalador, o rapel para ser realizado depende de conhecimentos técnicos mais apurados, como por exemplo equalização de ancoragens e até mesmo colocação de equipamentos “móveis”. Sem estes conhecimentos um rapel pode se tornar perigoso e até mesmo fatal.

Na Espeleologia saber simplesmente “fazer rapel”, torna o futuro espeleólogo incapaz de explorar cavernas. Ancoragens; passagens de fracionamentos, nós e desvios; técnicas de subida com a utilização de equipamentos “blocantes”; técnicas de salvamento; utilização dos cabos “de segurança”; técnicas de travessia de rios; utilização correta dos sistemas de iluminação e até mesmo como caminhar em cavernas, são conhecimentos fundamentais para formar um Espeleólogo completo.

Já no Canyoning, conhecimentos como: leitura de rios, natação em correnteza, técnicas de rapel desviado e de rapel largável, rapel em corda tencionada; isto, sem mencionar os procedimentos de segurança necessários para se evitar cachoeiras fortes e as técnicas de salvamento de pessoas presas em baixo de uma cascata são alguns exemplos do que é necessário para a prática deste esporte, saber apenas fazer “um rapel” não significa praticar o verdadeiro Canyoning. O rapel por sí só é uma simples técnica comum a todos esses esportes e não um esporte isolado como querem alguns.

Têm-se ministrado cursos pelo país que na verdade não passam de fundamentos básicos de rapel e seus instrutores teimam em anunciar erroneamente como sendo cursos de canyoning ou de técnicas verticais – em Brasília, por exemplo, isto tem ocorrido com muita frequência. Até na televisão, já assisti matérias denominadadas como “Canyoning” em programas de grande audiência como o Esporte Espetacular e o Fantástico. Em geral, são grupos de alunos com um instrutor se dirigindo a uma cahoeira com o objetivo de fazer um simples rapel – o que acaba acontecendo de maneira errada e perigosa com pessoas rodopiando nas cordas, ficando de cabeça para baixo e gritando, como se praticar o Canyoning fosse o mesmo que estar em um brinquedo da Disney.

Com o aumento do número de praticantes em todos esses esportes, atitudes como estas vêm ocorrendo cada vez com mais frequência denegrindo o verdadeiro significado desses esportes. Considero importante para o desenvolvimento correto dessas atividades, não apenas uma maior conscientização por parte dos praticantes, mas a criação de critérios para a formação devida de instrutores. Esses critérios já existem em Mergulho e foram fundamentais para o desenvolvimento desta atividade. Talvez, melhorando o nível de nossos instrutores possamos contribuir para a eliminação desses equívocos e orientar melhor os novos praticantes.

Mas afinal, o que é Rapel?!

Conversas sobre rapel se tornaram rotina no dia a dia de muitos adolescentes, pós-adolescentes e adultos de Brasília. Palavras como “rapelar”, “rapelada” e “rapeleiro” estão sendo extremamente usadas por pessoas que desconhecem totalmente o verdadeiro significado do rapel, e que transformaram um simples nome de uma técnica em verbo, adjetivo, e o que é pior, em nome de esporte.

Mas afinal o que é rapel? O rapel nada mais é do que a técnica usada para efetuar uma descida vertical com o auxílio de uma corda. O que poucos sabem é que ele se diferencia totalmente dependendo do esporte onde você o aplica. É errado por exemplo se fazer um rapel em uma cachoeira da mesma forma que em um abismo de caverna. As dificuldades técnicas de cada ambiente exigem conhecimentos específicos da técnica do rapel, tornando-o bem mais seguro e eficaz dependendo da situação. Basicamente três esportes utilizam o rapel: a escalada, a espeleologia e o canyoning.

Em todos eles o conhecimento apenas do rapel é totalmente insuficiente, e praticar qualquer uma destas atividades sem saber exatamente os procedimentos corretos é tremendamente arriscado. Fazer rapel pode parecer extremamente simples, e em determinadas situações até ridículo. E é por isso que ele se difundiu tanto. Qualquer pessoa que vença o medo da altura, coloque o equipamento mínimo necessário e tenha alguns poucos minutos de “instrução” pode realizar o rapel, porém esta mesma pessoa está longe de estar apta a frequentar locais onde o conhecimento técnico tem que ser mais apurado. Explorar novas cavernas, descer canyons com inúmeras cachoeiras e conquistar novas vias de escalada é que realmente são desafios de um verdadeiro esportista. Nestes casos o rapel passa a ser um meio de se transpor obstáculos e não mais um forma de diversão onde os “rapeleiros” exercitam o seu ego se sentindo verdadeiros super-homens. Se vangloriam por realizar uma tarefa possível a qualquer criança bem orientada. Que bobagem! Muitos poderiam estar se instruindo melhor, escolhendo um esporte de verdade para aí sim se tornar alguém dentro da atividade, fazendo algo que contribua com o esporte, sem parasitar o ambiente dos verdadeiros praticantes.

No dia que o Brasil possuir entidades fortes, que regulamentem esses esportes e ditem normas e condutas para praticantes e instrutores com certeza isso irá acabar. Porém é preciso se tomar muito cuidado com o desenrolar deste processo, senão o Brasil está arriscado a passar a vergonha de ser o primeiro país no mundo com uma “Federação Nacional de Rapel”. Seria no mínimo um grande desgosto para todos que de alguma forma lutam pelo correto desenvolvimento do canyoning, da escalada e da espeleologia neste país.

Por ALVARO BARROS – Brasília

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Escrito por Mauricio Oliveira

Maurício Oliveira é social media expert, fotógrafo, videomaker, consultor de turismo, blogueiro, influenciador e empreendedor. CEO do Trilhas e Aventuras, conta suas experiências de viagens no blog Viagens Possíveis e criador de inovadoras ações de marketing de turismo, o BlogTur e o VIPBloggers. Ama o que faz no seu trabalho e nas horas vagas também gosta de viajar. Siga no Instagram e no Twitter, curta no Facebook, assista no Youtube e circule Mauricio Oliveira e Trilhas e Aventuras no Google Plus.

Comentários

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  1. Parece uma criança chorona que só pq sabe dar uma estrelinha seus amiguinhos do playground não podem dar uma simples cambalhota!
    Ainda bem que existem pessoas que buscam adaptações para fazer com que outras pessoas tenham experiências que já mais poderiam desfrutar na vida, seja por doença, baixa alto estima, ouqq outro motivo ( o Socioeconômico talvez seja o principal)! Eu poderia escrever um texto tão grande quanto o seu para inclusive defender motivos pelos quais deveria haver uma confederação de “Rapel”, mas tenho a certeza que é perda de tempo! Pois como vc msm disse isso aqui é Brasil! Aqui sempre tem um Zé ninguém, querendo ser alguém através das impossibilidades do outros, que olha apenas para seu umbigo, que fecha os olhos para para as variáveis que não lhe agradam e não lhes convêm! Como falou em mergulho, imagine se nós do mergulho profissional, jogassemos areia na institucionalização do mergulho esportivo, pois à um claro desvio na finalidade dá prática! É como se por eu ser Mergulhador profissional me desse o direito de olhar para os recreativos e dizer: olha como são idiotas, mergulham para ver peixinhos, olha suas técnicas que ridículas, só mergulham em águas rasas, se acabar a visibilidade acabou-se o mundo!
    Se isso não serve como exemplo te dou outro: Surf x bodyboard ( tudo é surf, mas os que surfam de quilha não reconheceram os bodyboarders por muitos anos e até hj na água há rivalidade e falta de respeito! Mas em fim ainda bem que os esportistas com deficiência física, não dependem de vc, pois pelas suas palavras, não há adaptações nem evoluções derivadas de uma técnica ou de um conjunto de técnicas e movimentos (um esporte)!
    Desculpe se pareci agressivo ou ofensivo, é o meu jeito, são apenas palavras! Só trago amor em meu peito! Mas lamento pelo seu raciocínio de limitar a diversão e moldurar a forma de se faze-la!

  2. Daniel, faço de suas palavras as minhas! ” Aqui sempre tem um Zé ninguém, querendo ser alguém através das impossibilidades do outros, que olha apenas para seu umbigo, que fecha os olhos para para as variáveis que não lhe agradam e não lhes convêm!” Na verdade o autor desse texto, fala, fala, fala…, mas não diz nada! Só deixa a entender que ele é o fodão e o resto não sabe nem o que é Rapel. Aff. Quero distância de gente assim.

  3. Caramba, vim parar nessa página durante uma pesquisa para aprimorar meu conhecimento sobre tipos de cordas, e descubro que não posso praticar rapel (sim, “praticar rapel”, foda-se), pois minha finalidade é puramente recreativa.

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