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O desafio do Pico da Neblina

O Pico da Neblina não só é a mais alta montanha brasileira, com 3.014 metros de altitude, como também um incrível desafio de resistência a aqueles que resolvem conquistá-la.

Para se chegar até a Neblina é preciso percorrer um longo caminho a partir de Manaus. O início da viagem começa no pequeno porto de São Raimundo, as margens do Rio Negro. É de lá que as sexta-feira saem as embarcações com destino a São Gabriel da Cachoeira.

Estes barcos são a única opção para o transporte de cargas e alimentos para o abastecimento da cidade. Há um intenso movimento de comerciantes, carregadores e pessoas que precisam despachar algum tipo de mercadoria nos momentos que antecedem a partida. Nestes barcos de madeira são embarcados todo o tipo de produto como tijolos, garrafas de cerveja, frango congelado, frutas, caminhões, botijões de gás e tudo, tudo mesmo que a cidade irá consumir. Além da carga, obviamente que as embarcações também transportam as pessoas que vivem em São Gabriel. Há um piso destinado aos passageiros, em um amplo espaço onde não há acentos, apenas locais para amarrar uma rede que será o assento e o leito de viagem pelos próximos 4 dias.

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Embora demorada, a viagem que percorre cerca de 1.200 Km pelo Rio Negro é bastante agradável, não há como não conhecer todos os passageiros e com o passar das horas e dias de viagem o grupo mais parece uma grande família.

Chegando em São Gabriel da Cachoeira, é preciso organizar toda a logística da expedição ao Pico da Neblina. É preciso autorização do Ibama, pois a montanha localiza-se dentro de um parque nacional, e também é indispensável a contratação de um guia experiente que já tenha feito este percurso diversas vezes e conheça bem os segredos da floresta. Além disto, a expedição exigirá um pequeno barco, conhecido como voadeira, um motor de popa, cerca de 200 litros de combustível, alimentos para aproximadamente 10 dias e também um transporte 4×4 para transportar todo o equipamento até um o pequeno igarapé Iá a cerca de 80 Km de São Gabriel.

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Os primeiros quilômetros pela estrada de terra que liga São Gabriel a Cucui, na fronteira com a Venezuela, já mostram que a expedição será uma aventura com letras maiúsculas. Somente um 4×4 é capaz de percorrer, e com grande dificuldade, os incontáveis atoleiros desta estrada. São precisos quase 4 horas para percorrer 80 km e desembarcar ao lado da comunidade dos Índios Tucano as margens do Igarapé Iá. Deste ponto já não é possível ter qualquer contato com qualquer tipo de infraestrutura, serão 10 dias penetrando da densa floresta sem qualquer meio de comunicação, onde qualquer acidente pode ser um sério problema em meio as dificuldades de atendimento e transporte. Após a preparação da embarcação, inicia-se a viagem pelos Igarapés Iá Mirim, Iá Grande até chegar ao Igarapé Tucano, ponto de partida para o caminho a pé até a montanha. São cerca de 6 horas na voadeira, percorrendo cerca de 100 Km pelos Igarapés, passando por aldeias Yanomami, cruzando com macacos e botos pelo percurso e entrando a fundo no coração da Selva Amazônica.

A chuva é uma companheira constante na viagem, fica fácil entender o motivo de tanta água nesta região. É preciso ter grande cuidado com a roupa e a rede que será usada para dormir, pois se estiverem molhadas, será uma desagradável noite sem sono e um péssimo dia seguinte. Os acampamentos são montados em pequenas estruturas de madeira que foram montadas pelos guias em expedições anteriores, onde há apenas um local para pendurar uma rede e acender uma fogueira. A vida na selva parece florescer a noite, é possível escutar passos nas folhas secas além do intenso barulho de sapos, insetos e todo o tipo de vida, não é fácil se acostumar com esta agitação nas primeiras noites.

Para se chegar até a base são preciso 2 ou 3 dias de caminhadas bastante duras, em meio a lama pelos joelhos, mosquitos, o calor e a umidade constantes na floresta. Muitas vezes é preciso usar o facão para abrir espaço em meio a trilha que é quase devorada pela floresta. No final do terceiro ou quarto dia, chega-se a base da montanha de onde é possível vê-la em meio a intensa neblina que a rodeia. O acampamento é montado em um antigo garimpo de ouro que existia no local, é possível observar a destruição que esta atividade causou e que lentamente começa a ser preenchido novamente com a vegetação local.

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Após uma noite de descanso, é preciso começar cedo a subida da montanha. O tempo pode mudar e impossibilitar qualquer tentativa de subida. Embora não haja grandes dificuldades técnicas a subida ao topo do Brasil é bastante dura em função da lama no início do percurso e da umidade que tornam os paredões de pedra extremamente escorregadios. São preciso cerca de 5 horas até avistar a bandeira do Brasil, colocada no cume da montanha pelo Exército, que marca o ponto mais alto do país. É sem dúvida uma grande emoção chegar a este ponto, não somente por estar no alto desta incrível montanha, mas também por vencer todos os desafios impostos pela floresta.

Autor: Mário Neubern
E-mail: [email protected]
Site: http://www.marioneubern.nafoto.net

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Escrito por Mauricio Oliveira

Maurício Oliveira é social media expert, fotógrafo, videomaker, consultor de turismo, blogueiro, influenciador e empreendedor. CEO do Trilhas e Aventuras, conta suas experiências de viagens no blog Viagens Possíveis e criador de inovadoras ações de marketing de turismo, o BlogTur e o VIPBloggers. Ama o que faz no seu trabalho e nas horas vagas também gosta de viajar. Siga no Instagram e no Twitter, curta no Facebook, assista no Youtube e circule Mauricio Oliveira e Trilhas e Aventuras no Google Plus.

Comentários

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  1. Boa tarde Mário, lendo seus comentários sobre o pico da Neblina, recordei desta aventura que empreendi no ano de 2009. Fomos de avião (FAB- C105)até a tribo Yanomomi que fica dentro do 5ºPEF, depois partimos de voadeira para a Base do Pico. Daí foram 3 dias e meio até nossa chegada ao cume. Deixamos nossas marcas por lá e descemos de novo – no mesmo dia, tendo em vista que éramos muito e não tinha local para todos pernoitarem por lá. O que sobrou foram as ótimas recordações e fotos deste maravilhoso lugar. Forte abraço.

    • Olá Alexandre, sem dúvidas uma das melhores aventuras que se pode fazer no Brasil. Lamentavelmente poucas pessoas se permitirão a ter esta fantástica experiência. Para mim, o fato mais marcante desta viagem, além é obvio de chegar ao topo da Neblina, é a sensação de estar há dias de distância da civilização, em um ambiente realmente selvagem.
      Grande abraço,
      Mário Neubern

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