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Trilhas, aventuras e cachoeiras na Chapada dos Veadeiros

1º Dia – “Pelo que vimos na estrada, vai ser um passeio lindo.”

Foi meio em cima da hora que resolvi ir à Chapada dos Veadeiros. Maio e Junho são considerados os melhores meses para visitação, por ser o início do período de seca, porém eu não pude ir nessa época, conforme havia planejado. Mas acabei decidindo ir em Julho, ao saber que ainda havia muitas flores – e as flores do cerrado são sem dúvida uma importante atração da região.

Quando cheguei a Brasília, Luzimar, que seria nossa guia na Chapada, estava me esperando no aeroporto, junto com as outras cinco viajantes, todas paulistas – um grupo todo de mulheres! Cruzamos a cidade e rumamos para o norte até a cidade de Alto Paraíso, onde paramos para almoçar após quase três horas de viagem. O restaurante Jatô serve uma gostosa comida a quilo. Depois seguimos, agora de Land Rover com o motorista Jair, 36km por uma estrada de terra para a pacata São Jorge, parando no caminho para ver os Jardins de Maitréia, uma bela área do Parque Nacional formada por campos pontilhados de buritis. Primeira parada para fotos.

Ficamos na Pousada Ponto Verde, simples mas razoável. Faltam alguns detalhes, como um espelho no banheiro. Após escolhermos nossos quartos, saí com Darcy para dar uma olhada na vila, que tem alguns restaurantes e várias pousadas, com destaque para a charmosa Casa das Flores. No passado, a exploração de cristais trouxe dinheiro, mas hoje São Jorge vive do turismo, já que o garimpo é proibido na maior parte da região. Muitos garimpeiros inclusive viraram guias de ecoturismo.

2º Dia – “A água esculpiu formas curiosas, arredondadas e onduladas.”

Ainda que estivesse cansada, acordei cedo, na expectativa de nossos primeiros passeios. O destaque do café-da-manhã para mim foram os biscoitos.

Saímos às nove, um pouco tarde, com o sol já alto. Nossa primeira parada, após alguns quilômetros sacudindo em uma estrada esburacada, foi o Vale da Lua, uma região onde o rio São Miguel esculpiu formas estranhas na rocha. É realmente um lugar diferente e um dos principais cartões-postais da Chapada. A trilha tem 1200m no total, passando por um pequeno trecho de mata, depois ao longo do rio. No total, ficamos pouco mais de uma hora lá com algumas paradas para curtir o cenário. A água estava gelada. Como a maior parte das atrações turísticas da Chapada, o Vale da Lua fica em uma propriedade particular.

Na volta paramos na Pousada Aldeia da Lua, em final de construção. São enormes chalés num sítio com trilhas que descem para o rio e cachoeiras. Foi interessante conhecer, mas acho que ficamos tempo demais – eu queria caminhar! Saímos de lá meio-dia.

Próxima parada, Raizama, outro sítio. Caminhamos cerca de 20 min por campos floridos, cheios de sempre-vivas e mimosas. No final, descemos uma trilha íngreme mas curta para chegar numa pequena cachoeira do rio Raizama, chamada de “hidromassagem”. Mas uma vez, água gelada e eu não me animei a entrar muito na água – mas algumas corajosas entraram.

Foi ali que lanchamos. O lanche de trilha era bastante farto: sanduíche, bolo, biscoitos, maçã, suco – nem deu para comer tudo. Após cerca de meia-hora, seguimos caminho descendo pelo canyon formado pelo rio, que pouco adiante despenca de uma altura de 40 metros no rio São Miguel. Aí a gente seguiu por uma trilha escavada na rocha a longo do canyon do rio São Miguel. É engraçado como o rio nesse trecho é tão diferente do Vale da Lua, que fica a poucos quilômetros dali. Descemos até um ponto onde o rio passa quase escondido pelas rochas escavadas. A força das águas é enorme, imagino como deve ser na época de chuva!

Tomamos a trilha de volta, mas ainda existia uma outra para umas piscinas naturais. A subida para sair do canyon é curta mas puxada, depois fica mais leve quando a gente atravessa o campo de volta à entrada do sítio, onde descamos um pouco na sombra, recuperando nossas forças.

Ainda tínhamos mais um passeio, a Morada do Sol. Começamos a andar mais ou menos às 3:00 e levamos uns quinze minutos para chegar até o rio, caminhando pelo mato. Tem um poço legal com uma cachoeira ao fundo. Pena que já não batia sol na água quando chegamos lá. Enquanto as outras descansavam e tomavam banho, Darcy, Luiza e eu seguimos com Jair ao longo do rio – mas eu desisti num certo ponto onde tinha que pular umas pedras escorregadias. Voltei e fiquei no poço, mas só coloquei as pernas dentro d’água, massageando-as na água gelada.

Chegamos de volta a São Jorge pouco depois de 4:30 e fomos almoçar na Téia. O pacote incluía almoço e lanche de trilha diariamente – um exagero! Mas na hora em que a gente viu comida, até que apareceu uma fomezinha… Comi frango, arroz, feijão e legumes. Depois voltamos à pousada, para um bom banho.

Claro que almoçando tão tarde não deu fome de noite. Fui com Adriana e Ana até a Casa das Flores, onde tomei um chá enquanto conversávamos. Esfria um pouco à noite, mas é suportável.

3º Dia – “A caminhada de hoje foi puxada, mas valeu o esforço para ver os saltos do Rio Preto.”

Saímos um pouco mais cedo, para começarmos a caminhada mais ou menos às 9:00. Ainda não estava quente, apesar do sol, mas logo começamos a suar. A trilha para as chamadas Janelas (por causa da vista para as cachoeiras do rio Preto) começa num lugar onde fizeram uma mandala de cristais – o local é conhecido como “discoporto” (não falta gente que alega ter visto discos voadores na região). Os primeiros 20 min foram fáceis, numa trilha marcada por cascalho miúdo, cruzando uma verdadeira floresta de canelas-de-ema.

Depois começa a parte mais difícil da caminhada, predominantemente em descida e meio escorregadia em alguns pontos. Muitas vezes a trilha desaparecia entre as pedras. Mitiko, Luiza e Darcy acompanhavam o ritmo de Luzimar lá na frente. Eu, sempre andando devagar nas descidas, ficava mais perto de Adriana e Ana, com Jair fechando a fila. Lá pelas tantas, um marimbondo picou a Ana, alguns passos atrás de mim.

Ao longo do caminho, tínhamos vistas do vale e do canyon. Ficamos animadas com a primeira visão, ainda que limitada, das cachoeiras do rio Preto, os Saltos 1 e 2, mais conhecidos com Saltos de 80 e de 120 – referência à altura de cada uma das quedas, em metros (embora não pareçam tão altas). Ambas ficam no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, criado em 1961 e que hoje só tem 10% da área inicialmente reservada. A trilha que fizemos era fora do parque, mas existe outra dentro do parque que vai até o alto do Salto de 120 e depois sobe para o poço do Salto de 80. Deve ser um passeio bonito também.

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Após cerca de uma hora e meia de caminhada, chegamos ao mirante principal, com vista para o Salto de 120 e para o poço formado pelo Salto de 80. Descansamos e lanchamos ali. Esperei o sol ficar numa posição mais favorável para tirar fotos. O Salto de 80 ficava fora de visão – parece que daria para vê-lo se continuássemos um pouco mais na trilha.

Ficamos lá por quase 2h, depois começamos o caminho de volta, agora mais em subida. Cansativo, porém achei mais fácil, exceto nos pontos em que perdíamos a trilha nas pedras. Adriana, pelo calor e pelo esforço, teve queda de pressão. Ao final, levamos 2h para chegar de volta ao início da trilha, onde descansamos um pouco à sombra de uma árvore antes de voltarmos para a cidade.

Almoçamos no restaurante de Nenzinha, outro buffet de comida caseira. Fui de salada, arroz, feijão, farofa e carne de sol. Às 4:00 saímos para um passeio relaxante: uma piscina de águas quentes. Existe mais de um lugar assim por lá, e o que fomos é no sítio Morro Vermelho, a 12km de São Jorge, já no município de Colinas. As piscinas são artificiais, mas a água brota ali mesmo – a gente até via as borbulhas. Já estava muito tarde para irmos ver o pôr-do-sol no “discoporto”.

À noite todas fomos para a Pousada Casa das Flores. O restaurante deles é muito simpático, cheio de interessantes detalhes na decoração e um cardápio bastante variado. Aproveitei o friozinho e dividi um fondue de queijo com a Ana. Ficamos surpresas com a Mitiko – ela é pequena, mas com um apetite de caminhoneiro!

4º Dia – “É um visual lindo, a cachoeira caindo num poço que deságua num canyon estreito.”

Saímos às nove para nosso único passeio dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. O acesso ao parque é controlado, só sendo permitida a entrada em companhia de um guia autorizado. Existem basicamente duas trilhas abertas ao público: uma que vai para os saltos do Rio Preto e outra que leva aos canyons e à Cachoeira das Cariocas – foi esta que fizemos.

A caminhada é longa (12km ida e volta) mas em geral ela é fácil. Em boa parte ela é plana, cruzando campos cheios de canelas-de-ema, candombás, sempre-vivas e muitas outras flores. Cruzamos córregos de água limpa e potável. Fazia muito sol, mas o vento aliviava o calor.

Achei nossas paradas um pouco longas, considerando que nosso ritmo não era forte – Luiza e eu, principalmente, parávamos muito para fotografar as flores. Não fosse por isso, ou se tivéssemos saído mais cedo, talvez desse para irmos ao Canyon 1 como outros grupos que encontramos por lá, mas seguimos direto para o Canyon 2, de mais fácil acesso.

Após pouco quase uma hora e meia e uma subidinha nas pedras, pudemos ver a cachoeira que vem do Canyon 1 e cai cerca de 15 metros num poço, que por sua vez alimenta o Canyon 2. O canyon é bem estreito e a água o atravessa com violência.

Fiquei fascinada com o lugar, imaginando como seria na época das chuvas, quando os rios da região ficam muito mais cheios. Aliás, as chuvas que caem no verão principalmente são muito perigosas, pois podem causar trombas-d’água. Muitas vezes chove só na cabeceira de um rio e os turistas podem ser pegos de surpresa – um dos motivos pelos quais é importante a companhia de um guia na Chapada, pois eles conhecem o clima da região. Em alguns locais do parque foram inclusive instalados alarmes, acionados quando os fiscais do IBAMA ficam sabendo de chuvas fortes nas nascentes.

Ficamos ali uns 15 min, depois seguimos pelas pedras até uma piscina que fica no final do Canyon 2. Como sempre, a água estava supergelada, mas desta vez tomei coragem e mergulhei. Ao menos tinha muito sol para me esquentar depois! A água é transparente e cheia de pequenos peixes.

Logo foram chegando outros grupos de turistas, demonstrando a popularidade das trilhas do parque – foi o lugar onde mais encontramos gente nas caminhadas. Lanchamos lá e descansamos um bocado, curtindo a beleza do lugar, até retomarmos a caminhada um pouco depois de 12:30.

Acho que levamos cerca de meia hora até chegarmos à Cachoeira das Cariocas. No final tem uma descida bem íngreme que requer muito cuidado – até coloquei a câmera na mochila para evitar danificá-la. A cachoeira é linda, pena que não dê para tirar uma foto dela inteira, pois é uma parede larga e algumas pedras encobrem um pouco a visão. Há vários locais para hidromassagem. Sombra, nem pensar – ao menos perto da água. Ficamos lá por cerca de 1:30h, inclusive comendo mais um pouco do farto lanche. O local também encheu de turistas.

Levamos cerca de 1:30h para voltar. Algumas vezes, após uma parada para descanso, eu ia na frente para poder tirar minhas fotos de flores. Teve muita coisa nova, como a bela flor do candombá e as sempre-vivas pali-palã e princesa do cerrado.

De volta à São Jorge, almoçamos novamente da Nenzinha. Eu queria ver o pôr-do-sol, mas fui voto vencido – as demais queriam ver cristais. Passamos por algumas outras pousadas, gostei da Trilha Violeta, muito simpática.

À noite fomos novamente à Pousada Casa das Flores. Aproveitamos para comprar camisetas – Luiza conseguiu um bom desconto. O difícil foi só encontrarmos as estampas que cada uma queria – fizemos uma bagunça lá! Íamos ver o vídeo “3 Chapadas e um balão”, mas não encontraram a fita, então assistimos outras, com a pipoca de cortesia do gerente. Depois as outras ainda foram comer pizza – haja fome! Adriana, gripada, já tinha voltado para a pousada.

5º Dia – “Primeiro fomos a Almécegas I, talvez a mais bela cachoeira da viagem.”

Deixamos São Jorge às nove rumo a Alto Paraíso. Em princípio, pararíamos no caminho para fazer os passeios e chegaríamos à cidade no final do dia, mas como estávamos muito apertadas no jipe com as malas, resolvemos deixar logo a bagagem na pousada, onde chegamos depois de 1h de viagem. A Pousada Recanto da Grande Paz é muito legal, são vários chalés – o meu era enorme, para quatro pessoas.

Fomos então para a Fazenda São Bento, que também tem uma pousada. Lá ficam duas lindas cachoeiras do Rio Almécegas. Primeiro fomos na Almécegas I, a mais bonita. Acho que levamos uns 20min para chegar ao mirante através de uma trilha que é meio puxadinha no início, pois tem uma subida e a trilha é rústica – os donos da fazenda bem que poderiam dar uma melhorada nela. Ficamos encantadas com a vista da cachoeira do alto, caindo sobre um poço num canyon. Depois de um breve descanso, encaramos a descida por cerca de 40m numa trilha escorregadia. Acho que o charme da cachoeira está na vegetação que nasce entre as pedras, por onde a água descia devagar.

Depois de ficarmos ali uns 20min, onde só Luzimar teve coragem de entrar na água gelada, subimos e fomos para o outro lado, no alto da cachoeira. A vista é diferente e nem dá para ver a água caindo no poço. Após algumas fotos, voltamos para o jipe. No total essa caminhada levou cerca de 2h.

Para chegar à Almécegas II, o caminho é bem mais fácil: o jipe pode estacionar a uns 200m da cachoeira e a trilha ali é quase plana. A cachoeira é formada de uma série de degraus de pedra e em um ponto a queda d’água forma uma hidromassagem. Só entrei porque tinha muito sol para me esquentar depois! Uma trilha curta permite chegar ao outro lado do poço, de onde se tem uma vista de frente da cachoeira. Lanchamos na cachoeira, depois descansamos, ficando por ali pouco mais de 1h.

Seguimos para outra fazenda, a Portal da Chapada. Lá passeamos numa trilha construída no meio da mata de galeria – que é a mata que sobrevive à seca mesmo sem um rio por perto, pois se abastece pelo lençol freático. A variedade de árvores é grande, pena que elas não eram identificadas. Adriana, Ana e eu resolvemos andar mais devagar, curtindo mais o local – até então estávamos quase correndo! Existem algumas nascentes e um pilão hidráulico que era usado para moer arroz e que ainda funciona. O final da trilha nos leva à pequena Cachoeira de São Bento, no Rio dos Couros, onde são dispoutadas partidas de pólo aquático.

Chegamos de volta a Alto Paraíso por volta de cinco horas e quase perdemos o almoço no Jatô – já não tinha muita coisa quando chegamos. Acabamos não saindo à noite – íamos comer crepes e fiquei tão decepcionada com as desistências!

6º Dia – “As flores do cerrado são tão delicadas, mas ao mesmo tempo agüentam tanta adversidade!”

Saímos às 8:30 sob um céu meio cinzento, o que me fez até levar um agasalho, pois nosso passeio, a trilha do Sertão Zen, era sobre uma colina. Dessa vez Jair só foi nos levar de jipe ao início da trilha, não caminhou conosco, mas um outro guia, Amauri, completou nosso grupo.

A caminhada mesmo começou às nove. Primeiro caminhamos um pouco só no plano, depois começamos uma subidinha mais forte e meio escorregadia pelo cascalho. Levamos cerca de meia hora até chegarmos a um mirante, de onde víamos Alto Paraíso ao longe.

Passamos por uma porteira e começamos um trecho de sobe-e-desce que não foi difícil, até porque paramos diversas vezes para ver as flores e a vegetação do cerrado. Aliás, para mim as flores foram o ponto alto do passeio, com suas cores e formas diversas. Vimos sinais de queimadas em alguns pontos, mas a vegetação já dava sinais de recuperação, o que mostrava a força do cerrado, pois Luzimar comentou que essas queimadas eram bem recentes.

Levamos quase uma hora nesse trecho, até chegarmos ao Portal, um conjunto de pedras a partir do qual a gente perde Alto Paraíso de vista. Descansamos um pouco ali, antes de continuarmos por cerca de 1:30h por um trecho plano, mas variado: areia e pântano, cerrado e pasto, muitas flores miúdas, gado. Depois disso, pedras de novo, e chegamos a uma pequena cachoeira. Paramos para descansar e a maioria aproveitou também para lanchar.

Começava a abrir um sol tímido quando prosseguimos a caminhada, agora descendo quase o tempo todo sobre pedras ao longo leito do rio, que estava bem seco. Em um certo ponto, a Ana sentiu uma fisgada num músculo da perna. Ela ainda seguiu um pouco, mas depois achou melhor parar e descansar enquanto prosseguíamos, pois o caminho exigia esforço da perna.

Seguimos adiante, até o ponto onde o rio despenca de uma altura de 150m, mas não dá para a gente ver – talvez se subíssemos em algumas pedras em volta poderíamos ver alguma coisa. Mas a vista é linda, com o vale do Macacão ao fundo. Ficamos um pouco mais de meia hora ali, onde lanchamos.

Já eram quase duas horas quando começamos a voltar. Para encurtar a caminhada, já que havíamos levado quase quatro horas para chegar à cachoeira, pegamos um outro caminho, só que ele passava por um trecho bem pantanoso, onde foi impossível eu passar sem molhar os dois pés. Vimos mais pastos queimados com a vegetação já brotando – quantos anos elas ainda vão resistir? Teve um outro trecho bonito de campos floridos.

Quando pegamos a trilha original, cada uma veio no seu ritmo até chegarmos de volta à porteira, mais ou menos às cinco horas. Lá sentamos e esperamos ainda um bocado – cerca de 45min – para podermos ter nosso tão esperado por-so-sol na Chapada dos Veadeiros. Lá do alto já podíamos ver o Jair nos esperando com o jipe. A descida até ele foi até rápida, chegamos antes mesmo do anoitecer.

Fomos direto para um restaurante de massas, Raio de Sol, onde comemos bastante – também, após andarmos tanto, a fome era grande. Meu capeletti de ricota e espinafre aos quatro queijos estava ótimo. Ainda passamos na Pousada Alfa & Ômega para ver o vídeo “3 Chapadas e um balão”, que foi um pouco decepcionante porque se concentrava muito nos preparativos e na movimentação da equipe de apoio, mostrando no final das contas poucas vistas aéreas. A melhor parte para mim foram os depoimentos de antigos garimpeiros e outros moradores da região, cuja vida mudou com a criação do parque nacional.

7º Dia – “A vista é legal, com as serras em volta. Luzimar levou um mapa da região para facilitar a identificação dos principais pontos.”

Hoje foi um dia bem relaxado. Acordamos mais tarde e saímos às nove e meia. Eu tomei um senhor café-da-manhã: pães e bolos, ovos mexidos com torrada, suco e chá, coalhada com granola, mel e nescau. Pura gula.

Nosso passeio da manhã parecia que ia ser rápido, mas a estrada para o mirante da Serra da Baliza, a 1445m acima do nível do mar, é um desafio até mesmo para um jipe. Mas a vista é fantástica, com as serras todas à nossa frente: Almécegas, Boa Vista, Buracão, Conceição (onde muitos alegam ter visto OVNIs) e Baleia.

De volta à estrada em torno de meio-dia, rumamos ao norte, com a estrada margeando o parque, para irmos ao Poço Encantando, já no município de Cavalcante. A viagem é interessante, pois ao longo dos 60km a paisagem varia bastante, com campos baixos, matas de galeria, trechos pedregosos e matas ciliares. Demos uma paradinha num lugar chamado Jardim Zen, venerado pelos esotéricos por estar no mesmo paralelo 14 de Macchu Picchu. A estrada está em péssimo estado, muito esburacada por causa de caminhões.

Pegando uma estradinha de terra, chegamos ao Poço Encantando, uma cachoeira e poço no Rio das Pedras. O sítio é bem cuidado e me surpreendi de estar tão vazio num sábado de sol. Atravessamos uma ponte pênsil para chegar no poço, onde nadamos (embora a água estivesse fria) e lanchamos. Foi um passeio relaxante e saímos de lá às três e meia.

Almoçamos perto da pousada, no Jambalaya, e adoramos as opções fora do comum do buffet, como a salada com grãos de trigo e as cenouras gratinadas. Para o jantar, o restaurante funciona a la carte.

Íamos assistir a uma apresentação de música oriental na “gota”, um centro de meditação famoso de lá. Nós e um monte de gente estávamos esperando, mas acabou sendo transferido para uma pousada. Faltou luz e fiz umas brincadeiras a respeito de OVNIs… Eu e Mitiko, menos chegadas à meditação e assuntos afins, ficamos só um pouco para ver como era.

À noites fomos ao centro para ver as barracas de artesanato, visitamos um recém inagurado centro cultural e então fomos à Créperie Alfa & Ômega, bastante movimentada. Meu crepe de frango com catupiry estava ótimo. De gula, ainda dividimos uma generosa proção de profiteroles. Só não gostei da música ao vivo, que atrapalhou a conversa.

8º Dia – “Pois é, chegou ao fim nossa aventura no Planalto Central.”

Apesar de não termos compromissos, acho que ninguém acordou tarde. Adriana, Mitiko e Darcy foram para a cidade &agrav;e pé, enquanto eu e as demais fomos mais tarde com a Luzimar e o Jair.

Depois de tiramos fotos numa placa na entrada da cidade, fomos até duas barraquinhas que vendem cristais. Tem cristais das mais diversas formas, cores e tamanhos. Comprei um simpático elefantinho e um prisma pequeno. Ana e Adriana se perderam no meio de tantos cristais. Fomos ainda em outras lojas e acho que todas nós compramos alguma coisinha.

Visitamos a casa do Tom das Ervas, que é um conhecedor das ervas e seus usos medicinais. Ele vende ervas e preparados fitoterápicos que ele mesmo produz.

Optamos em almoçar novamente no Jambalaya e estava muito bom. Ainda comi sobremesa…

Hora de ir embora, nos despedimos de Jair e pegamos o micro-ônibus que nos levaria a Brasília. Ainda estivemos com o Ion David, dono da operadora Travessia e excelente fotógrafo, que estava para lançar um livro sobre a Chapada dos Veadeiros – o que aliás faz falta, pois só vi livros sobre assuntos esotéricos. Às 13:30 estávamos na estrada, vendo pela última vez as paisagens da Chapada dos Veadeiros que passavam pela janela.

Autor: Maria Adelaide Silva.
E-mail: [email protected]
Cidade/UF: Rio de Janeiro – RJ

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Escrito por Mauricio Oliveira

Maurício Oliveira é social media expert, fotógrafo, videomaker, consultor de turismo, blogueiro, influenciador e empreendedor. CEO do Trilhas e Aventuras, conta suas experiências de viagens no blog Viagens Possíveis e criador de inovadoras ações de marketing de turismo, o BlogTur e o VIPBloggers. Ama o que faz no seu trabalho e nas horas vagas também gosta de viajar. Siga no Instagram e no Twitter, curta no Facebook, assista no Youtube e circule Mauricio Oliveira e Trilhas e Aventuras no Google Plus.

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