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Subida ao Monte Roraima

A seguir, apresentarei um breve relato sobre a trilha que fiz, juntamente com dois amigos, ao Monte Roraima, no período de 05 a 08 de abril de 2007. A equipe foi formada: por mim, Marcelo e César.

A decisão para subir o Monte foi muito rápida, em uma semana, para ser mais preciso. Hoje eu percebo que deveríamos ter nos preparado melhor para a subida. Primeiro com relação ao aspecto físico, pois a subida é muito cansativa e exige que a pessoa esteja com um bom preparo. Além disso, fizemos a caminhada em 04 dias, por razões de trabalho, sendo que seriam necessários uns seis dias. Menos de 06 dias a pessoa dificilmente conseguirá subir o Monte e, se subir, não poderá apreciar a beleza natural de lá.

Preparação

Durante uma semana, fizemos o contato com uma agência de Boa Vista para que nos ajudasse na viagem. Pagamos por um pacote no valor de R$ 850,00. Isso iria incluir a viagem por 04 dias, translado, comida, um guia e um carregador. A agência que fizemos o contato foi a Roraima Adventures, do Magno. Gostei da agência, pois ela cumpriu com tudo o que foi prometido. Maiores informações podem ser encontradas em: http://www.roraima-brasil.com.br. Para a viagem, é necessário ter passaporte e carteira de vacinação de febre amarela.

Equipamentos: Como não tinhamos os equipamentos, tivemos que comprar todos os itens, como mochila (R$ 200,00), saco de dormir (R$ 60,00), isolante térmico (R$25,00), cantil (R$ 20,00), barraca (R$ 120,00), bota para trilha (R$ 150,00), entre outros. Acredito que gastei uns R$ 1.000 em equipamentos. Em Manaus, as melhores lojas para este tipo de aventura são: Rob’s (Centro), Caça e Pesca (Aparecida) e Loja de Pesca (Amazonas Shopping).

Dia 01

No primeiro dia, 05 de abril, saimos de Manaus e fomos à Boa Vista de Gol (a passagem aérea de ida e volta custou R$ 250,00). Por causa de um atraso no aeroporto, saimos 01 hora da manhã de Manaus e chegamos às 02:30 horas em Boa Vista. Às 05 horas da manhã o Magno nos apanhou e fomos direto para Santa Helena. A viagem dura um pouco mais de 2 horas, percorrendo uma distância de 230 km.

Parada na estrada de Boa Vista para Santa Helena

Por volta das 08 horas, chegamos na fronteira de Santa Helena. Para entrar na Venezuela, é necessário apresentar o passaporte e a carteira de vacinação. Lá tomamos o café-da-manhã e então pegamos um carro 4×4 com destino à reserva indígena.

Fronteira da Venezuela

O trecho de Santa Helena até a aldeia indígena demora umas duas horas para ser percorrido. Na aldeia indígena, conhecemos o nosso guia, Theodoro, e o nosso carregador, o José. Ambos índios da região.

Índio Theodoro

Para entrar no parque é necessário ter um índio como guia, pois eles sobrevivem dessas excursões. Eles cobram 60.000 bolívares (na época, a conversão era 1 real para 1.650 bolívares). Eles seriam os responsáveis por nos guiar, levar o suprimento e preparar a alimentação.

Saimos por volta do meio-dia da aldeia com destino ao primeiro ponto de parada, o acampamento Tek. Segundo informações que nos foram passadas, isto seria uma distância de 8 km. Longo no início da caminhada, cerca de meia hora, chegamos a uma subida bastante íngreme. Lá encontramos uma família de venezuelanos que disseram que estavam voltando do Monte Roraima. O que impressionou é que, segundo o relato do pai, eles saíram às 03 horas da manhã e já estavam de volta. Bem, conversando com os nativos, chegamos à conclusão de que eles deviam ter alcançado a base do Monte, mas não realmente ao cume. De qualquer maneira, aquilo serviu de estímulo para nós.

Após umas 05 horas de caminhada, conseguimos chegar à base do Rio Tek. Como a minha bota era nova, ela deu calo e acabei ficando com várias bolhas nos pés. Como achava que isso poderia acontecer, por precaução, levei um outro tênis para trilha. Mais velho e, portanto, mais confortável, porém, não muito apropriado. Acabei utilizando esse tênis nos dias restantes. No acampamento, já estavam várias barracas montadas, de gente de todo canto (Inglaterra, França, Estados Unidos, entre outros). Pelo que soubemos, nós éramos os únicos brasileiros naquela trilha, naquele período. Montamos a barraca e fomos descansar um pouco, enquanto Theodoro preparava a comida.

Dia 02

Acampamento TEK

Acordamos por volta das 06 horas da manhã. Desarmamos as barracas, tomamos café e partimos para a trilha. Um fato que me chamou a atenção é que alguns grupos acordavam, tomavam o café e já partiam para a trilha deixando tudo para trás. Na verdade, pelo que pude perceber, eles pagavam para que os índios fizessem tudo por eles, inclusive a montagem e a desmontagem das barracas. Como só tínhamos quatro dias, teríamos que chegar nesse mesmo dia ao cume do Monte. Esse foi o dia mais cansativo, principalmente pra mim. A distância do acampamento do Tek até a base do Monte é de cerca de 14 km. Assim, chegamos à essa base por volta das 15 horas, o que seria impossível subir naquele mesmo dia. Isso afetou o resto do planejamento da trilha. Portanto, para chegarmos ao cume, teríamos que acordar às 06 horas, sair da base às 07 horas, chegar no cume às 10 horas, descer às 13 horas e depois regressar à base do Tek às 17 horas. Isso só seria possível porque a subida seria realizada sem levarmos as mochilas.

Dia 03

Acampamento na base do Monte Roraima

Ao acordar, percebi que não teria condições de subir o Monte, voltar à base e depois retornar ao acampamento do Tek no mesmo dia. Tomei a decisão de voltar logo para o Tek. Até para não prejudicar os demais companheiros. O César e o Marcelo foram para o topo com o Theodoro. Como voltei sem a companhia do restante da equipe, aproveitei para fazer várias reflexões no caminho. Gostei muito e acho que ter esse momento sozinho, valeu a pena. Claro que ficou faltando chegar ao topo! A volta é mais fácil, pois a maioria do tempo você está descendo. Assim, cheguei no acampamento do Rio Tek antes do meio-dia.

O Rio

Por volta das 16 horas, os dois retornaram da subida do Monte. O Marcelo conseguiu subir por cerca de 1 hora, mas depois desistiu, pois estava sentindo muitas dores, e voltou para a base. O César foi o único que conseguiu chegar ao topo. Ele relatou a dificuldade, mesmo sem mochila. Relatou também de como Theodoro conseguiu subir, mesmo carregando um rádio e um saco com suprimentos para eles.

Dia 04

Acordamos cedo e partimos de volta para a aldeia indígena. O cansaço acumulado me alcançou e tive também dificuldades no retorno, principalmente nas subidas. Chegamos às 11:30 horas na aldeia.

monte-roraima-jaccuzis

Aldeia indígena

Para finalizar, avalio que valeu muito a pena ter feito essa trilha. Espero poder fazê-la novamente no ano que vem, porém com mais tempo para poder curtir melhor a aventura.

Como dicas finais:

  • O melhor período para fazer a trilha é entre dezembro e março, pois é o período que chove menos.
  • Montar uma equipe pequena e de amigos, caso contrário, você pode sentir vontade de empurrar alguém lá de cima.
  • Fazer um planejamento com certa antecedência, principalmente para quem mora longe de Boa Vista ou quer fazer a trilha num período de feriado, em que a procura é muito grande.
  • Fazer a trilha em seis dias, pelo menos. Caso contrário, se torna muito cansativa e você não aproveita tanto.
  • Se me lembrar de algo importante, eu coloco aqui depois. 😉

Autor: Tiago Eugenio de Melo.
E-mail: [email protected]
Cidade/UF: Manaus – AM

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Escrito por Mauricio Oliveira

Maurício Oliveira é social media expert, fotógrafo, videomaker, consultor de turismo, blogueiro, influenciador e empreendedor. CEO do Trilhas e Aventuras, conta suas experiências de viagens no blog Viagens Possíveis e criador de inovadoras ações de marketing de turismo, o BlogTur e o VIPBloggers. Ama o que faz no seu trabalho e nas horas vagas também gosta de viajar. Siga no Instagram e no Twitter, curta no Facebook, assista no Youtube e circule Mauricio Oliveira e Trilhas e Aventuras no Google Plus.

Comentários

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  1. Com certeza a experiência é inesquescivel, já fiz essa caminhada, e não tenho palavras para descrever a perfeição que há nessa experiência.
    🙂

  2. Oi, Mauricio!

    Muito obrigada pelas informações!
    Eu tenho uma dúvida, espero que você possa me ajudar. É obrigatório estar acompanhado por um guia?
    Há um tempo fiz a trilha da chapada diamantina e o pessoal do meu hotel disse que era obrigatório. Entretanto, encontrei várias pessoas no caminho que não estavam acompanhados por guias. Estou perguntando porque eu pretendo subir o monte Roraima agora em dezembro, mas eu preferiria fazer sem guia…

    Muito obrigada!

  3. Olá, Mauricio! Estou indo pro Monte no próximo mês. Estou com dúvida em relação ao tênis. Algumas pessoas me recomendam ir de bota de cano alto, que é impermeável e dá maior segurança às passadas por proteger o tornozelo. Outras pessoas me recomendaram ir de tênis de trakking, pensei num Asics Gel Fuji Runnegade, que tem grande aderência, é macio e tem um bom sistema de amortecimento, porém não é impermeável e nem de cano alto (que penso que pode ser uma qualidade justamente por deixar o tornozelo livre para as manobras, caso necessárias). Qual a sua opinião? Obrigada!

    • Conversando com os guias de lá, pois na subida e no topo quase não vimos animais na trilha, somente poucos pássaros, eles falaram que existem cobras sim, mas que, por exemplo um deles que já subiu mais de 400x, em apenas 4 dessas subidas, eles avistaram cobras e, inclusive lá existe uma lenda, que ele jura que é verdade, de que existe uma cobra grande como uma anaconda, mas diferente, que vive em um dos buracos existentes no trecho entre o passo de las lagrimas e o topo, mas que ela só dá as caras no verão, qnd está bem quente…. será que existe? De qualquer forma, ele nos contou diversas historias e como eu adoro ouvi-las, me propus a acreditar nelas….., mas a bota é necessária sim pois dá maior firmeza na hora da pisada, no topo é cheio de subidas e descidas, vc só vai ver pedras pela frente e quase não pisará em lugares planos, assim como a trilha da subida e descida, pedras e pedras, apelidamos lá de planeta pedra…., tencionei mto o tornozelo, sinto até que ele está musculoso risos ….

  4. Que legal. Irei fazer a trilha em novembro, estou com mt expectativa. Meu irmão mora em Roraima e está providenciando uns contatos, mas a princípio irei sozinha e encaixarei em algum grupo, pois não consegui nenhuma companhia aqui de Mato Grosso.

  5. Oie, acabei de voltar do Monte Roraima e amei. Pergunta: Por que você não acampou no topo? Perguntando isso, pois existem maravilhas lá no topo, passei 5 dias e 4 noites lá e foi surpreendente. Visitamos a La Ventana, subimos o ponto mais alto do Monte que é o Maverick, uma formação rochosa que se pode visualizar do acampamento base e que tem o formato de um carro, o vale dos cristais que é um vale lindo com cristais, a catedral que é uma cachoeira que fica numa formação de pedras muito curiosa, as cavernas, as gretas de los guacharos, el fosso, o ponto triple, as jacuzzis, enfim, muita coisa pra ser vista, os hoteis cada um com uma forma peculiar, claro que não são hoteis de verdade, são formas gradiosas de pedras com abrigos….é outro mundo andar por lá, vc se sente literalmente em outro planeta…, já lá no paso de las lagrimas vc já se sente assim…. fomos com guias indigenas e foi maravilhoso, eles cozinharam para nós e nesse valor alem de comida e guiamento, estavam inclusivas as barracas e toda a infra necessária, nós só levariamos nossas cargueiras e qm quisesse lanchinhos simples, como barra de cereal, eu fui exagerada e acabei trazendo lanches de volta, pois não acreditei que seria tão farto assim…e qm quisesse poderia pagar sherpa para levar as coisas, eu no primeiro momento, não queria levar, pois achava que seria meio que abuso pagar alguem pra levar, mas depois pensei diferente qnd me dei conta que eles vivem disso e menos mal que minha mochila era uma das q pesava menos, eles até vem com balança portatil para medir, pois só transportam até 13kg por mochila, o que já acho demais…. e usei o serviço nos trechos cansativos, lá em cima, no primeiro dia para ir ao vale de cristais, el fosso e ponto triple, caminhamos por 24km, já nos demais dias fizemos os roteiros proximos ao hotel ‘hotel sucre’, então caminhamos em média de 5km a 6km…. foi maravilhoso e quero muito voltar algum dia…uma experiencia maravilhosa e visual incrivel, é incrivel saber que existe um lugar tão maravilhoso e diferente de tudo que pude imaginar….é real!

  6. Ola Mauricio Oliveira> Muito legal seu relato.
    A subida do Monte é “escalaminhada” ou tem trechos que necessita de equipamentos de esclada ( corda, boldrier, mosquetão, etc)?
    Da para pernoitar no Monte para apreciar o nascer do sol?

    • Oi Waldecir, o relato não é meu.
      A subida do Monte Roraima tem que ser feita através de agências especializadas.
      É preciso dias para ir e voltar, com pernoites no meio do mato.
      Muitos trechos são apenas de caminhadas, mas alguns precisam de equipamentos de proteção sim.
      Abs

  7. Valeu Maurício!!! Meu namorado e euqueremos viver está aventura no próximo ano (04/2018). Chegamos recentemente de São José do Barreiro -SP. Fomos trilhar o Pico do Tira Chapéu (2.088m). Foi maravilhoso.

    Agora, bora pra próxima aventura.

  8. Excelentes dicas, amigo. Assistir uma material sobre a trilha e o monte “mexeu comigo”. Já comecei a fazer uma cofre para trilha, rsrsrs. Espero que em breve possa estar sentido todas essas emoções dos relatos de vcs. Moro atualmente em Macapá-AP, participo de corrida de rua aqui no estado e acredito que isso irá me ajudar no preparo físico.
    Grato!!

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