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Fernando de Noronha, a ilha dos sonhos

Esqueça tudo que ouviu ou leu sobre Fernando de Noronha. Só é possível entender que pagar pra entrar lá vale – e muito – a pena, depois de passar alguns dias in loco, ilhado, longe do resto da civilização. Costuma ser também a partir dessa experiência que você certamente ficará contaminado pelo lugar, escrevendo histórias e fazendo planos de voltar, como aconteceu comigo.

Por influência do sonho de um grande amigo, acabei aterrissando de “para-quedas” no arquipélago para passar míseros quatro dias. Fizemos também uma curta parada por Recife, Olinda e Porto de Galinhas, com destaque para a última pelas águas mornas e belezas de cair o queixo, só que essa fica pra depois, afinal eu estava indo pra Fernando de Noronha, qualquer outra coisa seria secundária.

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Também já fomos para Noronha e relatamos tudo em nosso blog

Embarcamos num voo doméstico, que quando a moça do check-in perguntou pra onde eu ia, respondi sem titubear: pra ilha da fantasia. E ela entendeu. Uma hora de voo. Acrescente também mais sessenta minutos ao fuso de Brasília. Noronha é tão metida que tem até horário próprio, só dela.

A aventura iniciou já no avião. Voando, me peguei olhando por aquela minúscula janelinha um mar tão azul que até parecia ser o céu. Seria possível estarmos voando de cabeça para baixo? Bem, talvez fosse coisa de quem vai parar noutro mundo. E isso era só o começo.

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Sem o famoso voo panorâmico, porém do lado esquerdo da aeronave, é possível avistar rapidamente os dois irmãos. Contudo, fique atento porque a vista acontece num piscar de olhos. Imigramos com a ajuda de funcionários que trajavam roupas coloridas e distribuíam mapas e informações sobre a ilha. E então, finalmente tive aquela sensação de que estava noutra terra, pra não falar em outro planeta.

Fomos recebidos em uma pousada simplória, que pasme: não tinha muro nem cerca, só duas funcionárias que de tão simpáticas, carismáticas e humildes, acabaram virando nossas amigas. Me acabei nas tapiocas, nos docinhos caseiros e nos chás que também eram servidos à tarde, na beira da piscina. Qualquer hora do dia ou da noite, era só chegar e abrir a porta assim mesmo, sem aviso. Tinha um quarto com alto padrão de luxo para a humilde ilha, me esperando todos os dias. Aliás, por falar em aviso, pertinente alertar que por lá a noção de violência e segurança, de cobiçar o que é do próximo e também da distância das coisas, todas elas precisam ser revistas.

Veja dicas de Pousadas em Noronha.

São poucos moradores, praticamente todos se conhecem. Cumprimentávamos quase todo mundo, sabíamos nomes, inclusive vimos muitos deles mais de uma vez. Almoçamos sem nos preocupar com as mochilas que ficaram em cima das mesas; fomos a pé assistir a palestra do Tamar numa noite estrelada na qual nos falaram que não havia registros de roubos, estupros nem sequer de homicídios. Por lá, também disseram que tem escola de qualidade, saúde pública para todos e uma das menores rodovias, pra não dizer a menor, a qual percorri por inteiro de bicicleta, por meio da única linha de ônibus que circula a cada trinta minutos e também de carona com moradores e turistas. Ah sim, teve inclusive táxi.

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Em um lugar que não dá pra se ficar triste, seria exagero dizer que é um paraíso? Bem, seria porque ainda não disse nada sobre as belezas que lá se ostentam. E claro, porque tudo isso tem um preço, que muitos reclamam ser salgado.

Adote a lógica do dobro. Só multiplicar o valor das coisas do continente por dois, afinal, como se cobraria o mesmo preço quando não se está no mesmo lugar? Se te interessa saber, tudo que vai pra ilha chega de barco, o lixo tem que ser levado embora de barco também, a água é dessalinizada e a energia produzida por uma termelétrica. Além disso, os nativos pagam o mesmo valor que os turistas na comida e bebida, então não se deve chamar isso de injustiça ou roubalheira. Tem que haver outro nome. Aliás, deveria existir outra moeda.

Pode até ser caro, mas garanto que, pra mim, valeu cada centavo. Primeiro por me dar uma amostra real e completa da natureza, que lá não se restringe ou esconde hora nenhuma. Mabuias, os calanguinhos, estão por toda parte; um deles até deixou que fosse acariciado, entretanto tome cuidado pra não roubarem seu lanche. Os caranguejos enormes não se importavam em posar para fotos. Golfinhos? Por lá são quase tão comuns quanto cachorros, sem exagero. Aliás, os cães de Noronha também tomam banho de mar. Em qualquer mergulho você certamente verá tartarugas, peixes de todas as cores e claro, tubarões.

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Como eu disse, a natureza da ilha não tem medo; então não se acanhe com esses últimos porque onde eu carinhosamente apelidei de terra do nunca, os peixes não atacam, nem precisam comer os turistas, nunca houve sequer um registro disso. Há fartura de comida e de animais para observar, com ressalva de que eles (e não eu ou vocês) são a prioridade e estão em casa. Ainda sobre os animais, mergulhei com uma pranchinha que me levou às profundezas do oceano, naquele passeio em que conheci arraias, polvos e outras coisas que nunca vi nem mesmo nos filmes ou nesses famigerados aquários.

Sinal vermelho pra quem tem zoofobia, não gosta do escuro, que não suporta ficar uns dias sem celular ou ter que caminhar, ficar sem ar condicionado. Poupe seu dinheiro e nos faça um favor: vá para as Malvinas!

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Acrescento que naquele minúsculo pedaço de terra estão simplesmente as praias mais bonitas do Brasil (Praia do Sancho e Baía dos Porcos). E só falo Brasil porque insistem em dizer que tal lugar pertence ao país. Senão, seriam as praias mais bonitas que já vi em toda minha vida, sem exagero. Somadas aos contornos, morros, depressões e pedras, tudo é tão belo, mas tão belo, que nas palavras de uma amiga ao ver as fotos, chegam a fazer falta de educação por tamanha beleza. É algo indescritível e único. Do tipo que tem que ver pra crer.

Destaque pra Praia do Leão, que não sei por qual motivo, deixa de ser mencionada nos guias. Sem farofeiros, sem ambulantes, com corais e um mar calmo que mistura transparência com uma aquarela inteira de tons azuis. Se pudesse dar dicas, diria para andar sempre com protetor solar, água potável e algum lanche, um guarda-sol também ajuda. Todavia, por essas e outras, tem gente que vai continuar preferindo o Caribe. Risos, risos, é só o que tenho pra vocês.

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Mais conselhos valiosos a incluir no roteiro seria procurar o mercadinho Breakfast e seus preços populares; não deixar de ver um pôr-do-sol lá do Forte dos Remédios, de onde se tem a visão em cento e oitenta graus dos principais monumentos. E aprenda alguma coisa sobre tábuas das marés porque elas vão ajudar ou atrapalhar muitos dos seus programas.

Finalmente, depois de alguns dias vivendo lá, entendi que Noronha, terra do nunca ou como você quiser chamá-la, precisa ser caro porque tem que se manter, se preservar e também espantar aqueles turistas agourentos. Imagino que se não fosse o preço, estaria super povoada, depredada e sem nem mais um terço das coisas que, como eu disse, estão na casa delas, não na minha ou na sua. Tanto que o controle populacional é bastante rigoroso, vi uma senhora que estava sendo expulsa por situação irregular de moradia. Tem pessoas que nunca foram ao continente e as mulheres não podem mais dar à luz no local, é proibido. Quem não entende isso, graças a Deus, acabará deixando de visitar a minha íntima terra da fantasia.

Galeria de Fotos de Fernando de Noronha

Portanto, me considero um sortudo por ter mergulhado no Atalaia, praia que deve ser fechada nos próximos anos dada à necessidade de preservar seu berçário marinho; por ver o monitoramento das tartarugas, que só ocorre duas vezes por semana e explica muito sobre os animais; por entender um pouco mais da simplicidade da vida e de saber como eu gostaria que o ser humano fosse, vivendo fora daquele paraíso. Mas, como eu já disse, tudo foi fantasia. E bem, seria um desaforo dizer que não pretendo voltar afinal, foram só 3872 fotos, quatro míseros dias, tenho saudades.

Noronha é muito mais que uma ilha. Foi uma lição de vida, de magia e de todas aquelas coisas que não sabemos direito como explicar. Se fosse um médico, prescreveria uma semana por lá a todos meus pacientes, ainda que não estivessem doentes.

Vira e mexe, me pego repassando as fotos, incrédulo se de fato estive lá. Daí eu fecho os olhos, quase me belisco e lembro que sim, eu estive.

*Créditos das fotos tiradas por Amilton Fortes e Gabriel Resende

Por Amilton Fortes
Email: [email protected]

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Escrito por Mauricio Oliveira

Maurício Oliveira é social media expert, fotógrafo, videomaker, consultor de turismo, blogueiro, influenciador e empreendedor. CEO do Trilhas e Aventuras, conta suas experiências de viagens no blog Viagens Possíveis e criador de inovadoras ações de marketing de turismo, o BlogTur. Especialista em Expedições na Rota das Emoções e Lençóis Maranhenses. Ama o que faz no seu trabalho e nas horas vagas também gosta de viajar. Siga no Instagram, curta no Facebook, assista no Youtube.

Comentários

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  1. Amilton,

    Voce como sempre me surpreendendo… Palavras que descrevem de tal forma que nos faz sentir viver a mesma experiencia…. Obrigado por nao guardar para si tudo que se é possivel adquirir em uma viagem. Voce nos faz querer viver tudo isso. Fantastico! (como sempre)

    Abracos

  2. Fernando de Noronha sempre foi um sonho a realizar e agora, depois de ler suas palavras, quero ainda mais fazer da sua “íntima ilha da fantasia” um pouco minha também! Parabéns pelo texto envolvente e emocionante.

  3. Poxa pessoal, obrigado pelos comentários!
    Feliz por terem gostado, a ideia é transmitir um pouquinho do que vivi. Rodolfo, temos que combinar uma viagem! Gisele, vá conhecer a ilha, fique de olho, tem muitas promoções. E Lilian, com um lugar desse, nem se eu quisesse as fotos ficavam feias, rsrs.
    Abraços a todos

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