Trilha serra abaixo – De Cunha a Paraty a pé!





Em 29/10, eu e minha amiga Lorena decidimos fazer um trekking entre a cidade serrana de Cunha e a histórica Parati. Consultamos mapas e contamos, via internet, com a ajuda do pessoal da Cunhatur (valeu!) que nos deu todas as informações de que precisavamos.

Saimos então de São Paulo às 8 da noite, de ônibus em direção à Guaratingüeta e de lá, tomamos outro ônibus para Cunha (os ônibus saem na seqüência, não dá tempo pra nada).

Chegamos exatamente quando o relógio da igreja bateu as doze badaladas da meia-noite. Fazia uma noite muito gostosa com o céu estrelado prometendo um dia ótimo.

Fomos então para o hotel que haviamos reservado e que fica na rua da igreja.

Às 7 levantamos e após um café reforçado, carregamos a mochila para a praça onde encontramos o taxi (indicado pela Cunhatur) que nos levaria até o começo da trilha.

O dia amanheceu nublado e um pouco frio contrariando nossas expectativas, mas não esperávamos que, a caminho do Pico da Marcela onde inicia a trilha, uma garoa forte chegasse. O caminho até a trilha foi tranqüilo com o motorista servindo de guia turistico nos mostrando detalhes da região.

Saimos então da estrada Cunha-Parati para uma estradinha de terra que estava escorregadia mas nada que fosse problema para o fusquinha. Nosso, já amigo, motorista parou defronte a uma porteira e disse: É aqui! Boa viagem para vocês!

A Lorena olhou pra mim (era a primeira trilha dela) com uma cara de “quero voltar pro hotel”, mas colocou o capuz e saiu para a garoa, enquanto eu ligava o GPS que teimava em não se localizar. Por fim deixei ele ligado e saí para a porteira também.
Nosso amigo virou com o fusca e nós vimos ele indo embora e nos deixando ali naquela desolação e entre a garoa e uma forte neblina que dava um clima de filme.

A Lorena abriu a porteira, eram 9 horas, e nós paramos defronte a trilha de pedras muito enxarcada. Se via que devia ter chovido muito durante os últimos dias. Seguimos então em fila indiana, eu na frente procurando o melhor caminho e ela atrás rindo dos escorregões que eu tomava, já que escolhi ir de tênis em vez das botas que tinham me machucado em outra oportunidade. Só que o tênis, muito bom em trilha seca, virou um par de patins na lama e nas pedras molhadas. Caminhamos por cerca de uma hora até eu tomar o primeiro dos vários tombos (sem maiores conseqüências) que divertem muito a Lorena até agora.

As mochilas estavam pesadas pois, não conhecendo a trilha, não tinhamos idéia do tempo do percurso e levamos de tudo, desde lanches até lanterna.

A Trilha é bem marcada e fácil de seguir, dispensando o guia. As poucas bifurcações dão no mesmo lugar e uma regra é sempre seguir à esquerda e seguir a trilha mais forte. Não tivemos nenhum problema de localização embora a trilha atravesse a mata fechada. O único problema é que são 20 quilômetros (estimado) de descida o que exige muito dos joelhos.

A beleza da região é indescritível.
Pequenos riachos de águas transparentes cortam a trilha a cada instante e a trilha segue, tortuosa, descendo a serra variando de mata fechada a descampados, queimadas e precipícios, mas nada radical. A beleza só não foi maior, porque a neblina impedia que aproveitássemos a vista do alto da serra (nos disseram que todo o tempo de vê o mar mas não enxergávamos nada além da mata proxima). Passamos por baixo de uma imensa rocha forma um vão livre sob o qual há uma das infindáveis porteiras que transpusemos e dá-lhe tombo, num deles eu tentava descer de um morrete quando ele desmoronou comigo junto e eu cai, de pé, na lama três metros lá embaixo para diversão da Lorena que não caiu nenhuma vez!

Após 4 horas de caminhada forte a neblina acabou e depois de uma curva demos de cara com o mar de Parati. A comemoração foi sobre uma pedra, com direito a lanche e gatorade. A visão do mar nos animou mas sabíamos que a estrada (BR101) segue, naquela região, beirando a praia, então tinhamos muito que caminhar ainda. Era 12:30 quando voltamos a caminhar após essa parada de 15 minutos. Continuamos então descendo e apreciando a riqueza da região.

À medida que caminhávamos em direção à estrada, foram se tornando menos raras as habitações e nos últimos trechos um rio de corredeiras nos acompanhou com suas águas geladas.

Chegamos enlameados e exaustos à BR 101 (praia da Graúna) exatamente às 16:30 h. O GPS só registrou a latitude e longitude e mostrou o gráfico da trilha indicando que ela, no trecho de serra seguia em zigue-zague, embora não tivessemos notado, se recusando a mostrar a quilometragem que estimamos, após 7:30 h de caminhada forte com dois intervalos de 15 minutos, seja de 20 a 25 quilômetros (embora nos tenham dito que a trilha tinha 8 quilômetros).

Mas a aventura tinha ainda um problema
Como chegar a Parati que estava a 10 quilômetros de distância?
Decidimos pedir uma carona, porém o primeiro carro que passou foi uma lotação que seguia para Parati (!) e que nos levou por módicos R$ 1,50.

Em Parati chegamos às 17:00 h, aí foi só achar um hotel, tomar um banho, colocar roupas secas, sair para comer alguma coisa e correr para a rodoviária para tomar o ônibus das 18:30 h para Taubaté (não havia ônibus para São Paulo senão à meia-noite), porque a Lorena tinha um compromisso no dia seguinte.

Chegamos em Taubaté às 9:55, às 10 horas pegamos outro ônibus para São Paulo e chegamos ao terminal, às 11:55 h, a tempo de pegar um metro (ele fecha à meia-noite) para casa, exaustos, esbagaçados, doloridos (eu principalmente!) e absurdamente felizes.

Cronograma da Viagem – Cunha/Graúna

Dia 29/10
8:00h – Saída de São Paulo (Terminal Rodoviário Tietê)
9:45h – Chegada em Guaratingüeta
10:00 – Saída do ônibus para Cunha
12:00 – Chegada em Cunha

Dia 30/10
9:00h – Início da Trilha
16:30 – Fim da Trilha (BR101)
17:00 – Chegada a Parati
18:30 – Saída de Parati
19:55 – Chegada a Taubaté
20:00 – Saída do ônibus para São Paulo
11:55 – Chegada a São Paulo (Terminal Rodoviário Tietê)

Autor: Paulo Campos Leonardi e Lorena Sieberth.
E-mail: pauloleonardi@aol.com
Cidade/UF: Parati – RJ

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Mauricio Oliveira: Maurício Oliveira é social media expert, consultor e influenciador de turismo e empreendedor. CEO do portal Trilhas e Aventuras, também conta suas experiências de viagens pessoais no blog Viagens Possíveis. Especialista em Expedições na Rota das Emoções e Lençóis Maranhenses. Ama o que faz no seu trabalho e nas horas vagas também gosta de viajar. Siga no Instagram, curta no Facebook, assista no Youtube.

Ver Comentários (2)

    • Oi Glauco, obrigado.
      Não lembro se o celular pegava. Eu nem olho pra ele quando estou trilhando. ;)
      Mas sei que alguns lugares pegava sim, pois as vezes ouvia o barulho de mensagens chegando.
      Sobre o tracklog da trilha infelizmente não tenho.
      Abs

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