in

Cicloviagem pelo Litoral Paulista

A viagem estava agendada para o dia 05/02, porém um forte resfriado me obrigou a adiar em um dia minha partida. Um pequeno contratempo em Caraguatatuba me fez mudar de local de partida. Cheguei às 15:00 horas em Caragua. Ônibus regular para Ubatuba só à noite e os circulares não levariam minha bicicleta. Diante disto, resolvi dormir aqui mesmo e começar a cicloviagem desta cidade.

CARAGUATATUBA – BOIÇUCANGA
07/02/06

KM – 68,60 km
MÉDIA – 13,60 km/h
TEMPO DE PEDAL – 05:01 h
TEMPO TOTAL – 07:00 h
VEL. MÁX – 57,20 km/h

Acordei às 06:00 horas. Estava chovendo muito. Juntei minhas coisas, tomei café e às 07:45 comecei a pedalar. Iniciei pela avenida à beira mar onde pedalei por uns 6 km até entrar à direita e pegar a Rio – Santos. Em São Sebastião aproveitei a estiagem para tirar uma foto e pedi a um senhor que a tirasse para mim. Conversando com ele, perguntou se os freios de minha bicicleta eram bons, porque tinham alguns decidões pela frente. Na mesma hora pensei “se tem decidões é porque tem subidões”. Na cabeça de um cicloturista os pensamentos com relação às condições da estrada são bem diferentes do que a de uma pessoa acostumada apenas com veículos automotores. Até Maresias foi tranqüilo.

Já tinha lido em um relato de um cicloturista, do qual não me lembro o nome, que disse ter uma subida insana depois de Maresias. Agora, depois de vencê-la, entendi o porque de ‘subida insana’. Só não sei se é a subida ou o cicloturista que é insano de encarar esta subida com bicicleta carregada. Depois foi só descer e chegar a Boiçucanga. Descida do mesmo nível da subida. Tive que descer com as mãos firme nos freios e na mesma velocidade que os carros. Cheguei a este bairro de São Sebastião com uma forte dor no joelho direito, tendinite antiga.

Eram 14:30 e tinha bastante fôlego ainda, porém a dor no joelho e uma forte chuva chegando me fizeram optar por dormir por aqui mesmo. Neste trecho percorrido a estrada é perigosa e sem acostamentos. Precisei ficar de olho bem atento no trânsito, exigindo bastante concentração. Foi também o trecho com o visual mais espetacular de toda viagem.

BOIÇUCANGA – SANTOS
08/02/06

KM RODADO – 111,76 km
MÉDIA – 16,10 km/h
TEMPO DE PEDAL – 06:56 h
TEMPO TOTAL – 10:00 h
VEL. MÁX – 60,90 km/h

Para meu alívio, acordei com apenas uma leve dor no joelho. Na saída de Boiçucanga tem uma boa subida para aquecimento. Depois, praticamente é tudo plano. Passei por vários bairros de São Sebastião com boas estruturas e belas praias. Dei apenas uma parada em Boracéia para um breve lanche e segui direto para Bertioga. Normalmente prefiro pedalar o dia todo fazendo pequenos lanches e apenas uma refeição caprichada na janta, mas desta vez, estava sentindo falta de almoço. Resolvi dar uma descansada em Bertioga e almoçar.

Depois do almoço parei ao lado de um forte e dei até uma pequena cochilada. Um morador da ilha que passava por perto puxou conversa com as perguntas de sempre, “de onde você vem; para onde vai; está pagando promessa?”. Ele me disse que este forte era extremamente importante para a História do Brasil. Foi através dele e de sua posição estratégica que Santos foi defendida de ataques de índios a mando dos franceses. Segundo ele, se não fosse as defesas deste forte não teríamos sido colonizados por portugueses e sim por franceses. Disse também que foi o primeiro forte construído na América Latina. Depois da conversa segui viagem. Tinha duas opções. Voltar para a Rio – Santos e seguir para a balsa Guarujá–Santos ou pegar a balsa Bertioga–Guarujá e atravessar toda ilha de Guarujá até a balsa Guarujá–Santos. Apesar da segunda opção ser a mais longa, optei por este caminho por se tratar de uma estrada pouco movimentada.

Cheguei à balsa Guarujá–Santos às 16:30 horas. Rodei por alguns km pela ciclovia à beira da praia e fui procurar um hotel. Chegou ao fim o trajeto do litoral norte de SP que segundo informações das pessoas pelo caminho, são as melhores, mais bonitas e limpas do litoral paulista. Este trecho foi tranqüilo. Bastante plano e com acostamento.

SANTOS – PERUÍBE
09/02/06

KM RODADO – 96,12 km
MÉDIA – 17,70 km/h
VEL. MÁX – 36,10 km/h
TEMPO DE PEDAL – 05:24 h
TEMPO TOTAL – 07:00 h

Saí do hotel às 07:30 horas. Parei para tirar uma foto à beira da praia. Um senhor que estava passando se ofereceu para tirar a foto e puxou conversa. O mesmo de sempre, pra onde vai… . No meio da conversa, me perguntou se eu não estava com medo de ficar ali com aquela bicicleta, máquina fotográfica. Disse a ele que nem tinha pensado nisso. Segundo ele era um local perigoso e que não era para ficar dando bobeira não. Eu que já não estava gostando muito daquele movimento, até na ciclovia o trânsito era intenso, tratei logo de por o pé na estrada.

Segui pela beira da praia até chegar à ponte Pênsil que liga São Vicente à Praia Grande. Andei um bom tempo pela ciclovia existente ao lado da Br e depois continuei pela própria rodovia. Já estava há 1 hora pedalando nesta rodovia quando me dei conta de que poderia estar pedalando na beira da praia. No mesmo instante rumei para o mar aonde chegando à praia, encontrei uma belíssima ciclovia, cercada por coqueiros e praticamente nenhum movimento. Parei em um quiosque para tomar uma água de coco, o calor era intenso, e segui viagem. Rodei por bastante tempo à beira da praia até que no final da cidade de Mongaguá acabou a estrada e tive que voltar para a Br 101. A rodovia, apesar de muito movimentada, é duplicada, plana, e bem larga com acostamentos de fora a fora.

Neste dia percebi que o sol da manhã estava refletindo seus raios no meu lado esquerdo, sinal de que estaria rumando para o sul, que era o objetivo principal, Patagônia. Cheguei a Peruíbe às 13:00 horas e parei em um quiosque para um lanche. Na hora que me preparava para seguir adiante, queria dormir em Pedro de Toledo, caiu o maior temporal. Fiquei aguardando por um longo tempo, para ver se o temporal acalmava um pouco e nada. Já tinha rodado mais de 90 km, estava um pouco cansado e mais esta chuva forte, decidi procurar um hotel. A cidade estava com pouquíssimo movimento. Mesmo antes da chuva a praia estava quase vazia. Tirando o movimento do centro, as ruas mais próximas à praia pareciam ruas de cidade fantasma. Foi a parte menos atrativa da viagem, até com uma certa monotonia, onde a maior parte do tempo estava na Br. E ao meu ver, pude confirmar as informações de que as praias do litoral norte paulista são mais bonitas do que as do sul.

PERUÍBE – IGUAPE
10/02/06

TEMPO DE PEDAL – 08:25 h
KM RODADO – 140,0 km
MEDIA – 16,60 km/h
VEL. MÁX – 54,70 km/h
TEMPO TOTAL – 10:00 h

Booking.com

Saí do hotel às 07:30 horas sob chuva. Cheguei a Pedro de Toledo por volta das 10:00 horas. Informei-me com as pessoas do local a respeito da estrada do despraiado. Todas elas me desaconselharam este caminho, pois já estava chovendo forte há dois dias e inclusive hoje. O rio Despraiado, que cruza a estrada duas vezes, provavelmente estaria cheio não permitindo a passagem. Achei melhor não arriscar e segui para a Br 116.

Saindo de Pedro de Toledo tem uma serrinha que não chegou a ser nenhum problema e depois foi praticamente plano até a Br 116. Dei uma paradinha em uma barraca para comprar umas bananas e o vendedor nem quis me cobrar. Deu-me uma dúzia e me disse que já tinha ido algumas vezes a Iguape de bicicleta e gastou cinco horas. E que também já tinha ido pela estrada do despraiado e me garantiu que hoje não teria conseguido atravessar o rio. Agradeci pelas bananas e segui viagem. Umas dos meus objetivos era a travessia desta estrada. Ela corta a Estação Ecológica da Juréia – Itatins. Dizem que é um lugar muito bonito com cadeias de montanhas dos dois lados da estrada. Infelizmente não deu desta vez, ficando para uma próxima. Esta estrada que liga Peruíbe a Br 116 foi a mais perigosa de toda viagem. Sem acostamentos e com um grande movimento de carretas. Andei alguns quilômetros pela Br 116 e entrei para a estrada que liga à Iguape. Logo de início tem uma serra. Dei uma pequena parada para um lanche, pão com queijo e água de chuva. A chuva não dava nenhuma trégua, então tinha que ser assim mesmo. O engraçado é que estava procurando um lugar apropriado para este lanche já a um bom tempo e, como não achei foi na chuva mesmo. Mas assim que terminei o lanche e andei uns 300 m, depois de uma curva, encontrei um ponto de ônibus todo coberto, onde poderia ter lanchado tranqüilamente.

Depois da serra, estrada plana até Iguape. Chegando a Iguape, passei direto para a Ilha Comprida. No centro da ilha parei para conseguir algumas informações com um grupo de pessoas que estavam paradas por ali. Eles me disseram que o mar estava muito bravo estes dias, a maré estava muito alta e tinha dois canais maiores que não tinham jeito de passar. Nem os ônibus que fazem este trajeto não estavam conseguindo. E para piorar as coisas falaram que a areia estava muito fofa.

Resumindo, não teria como fazer esta travessia. Mais uma vez fui obrigado a deixar de lado outro grande objetivo desta viagem que era pedalar praticamente o dia todo pela areia desta ilha. Decepcionado, voltei para Iguape em busca de um hotel. Hoje foi o dia mais cansativo da viagem. Pedalei exatos 140 km o que me deixou bastante desgastado.

IGUAPE – CANANÉIA
11/02/06

TEMPO DE PEDAL – 05:36 h
KM RODADO – 67,59 km
MÉDIA – 12,00 km/h
V. MÁX – 33,30 km/h
TEMPO TOTAL – 07:00 h

Acordei com uma dúvida hoje. Ir pelo asfalto, considerando as informações que recebi ontem do pessoal de Ilha Comprida e perder o que seria a melhor parte da viagem ou arriscar e tentar passar pela ilha. Resolvi ir até Ilha Comprida ver como estava a maré, já que o dia amanheceu nublado, porém sem chuva.

Chegando lá, percebi que a maré estava bem mais baixa que ontem. Neste momento tomei a decisão de ir pela ilha mesmo. Era arriscar e ver no que dava. Pelo caminho perguntei a algumas pessoas sobre a viabilidade da travessia e umas me disseram que de bicicleta não teria nenhum problema e outras me desaconselharam. Mesmo assim segui em frente sem perder tempo, porque se por acaso não fosse possível a travessia destes canais, talvez desse tempo de voltar à cidade durante o dia mesmo.

Assim que acabou o asfalto do centro da cidade entrei para a areia da praia. A partir dali começou o que tinha de mais especial e diferente da viagem, que era pedalar pela areia da praia. A maré estava razoavelmente baixa o que me deixou animado. Por uns 30 km foi tudo tranqüilo com a areia bem dura dando para manter uma boa velocidade. Os últimos 20 km foram um pouco mais complicados. A maré subiu e a água estava tomando quase toda areia da praia o que me empurrou para parte fofa. Nesta parte não dava para pedalar. Tive que andar praticamente dentro da água o tempo todo, para aproveitar a areia mais dura. Estava quase pegando onda de bicicleta. De vez enquanto algumas ondas até me desequilibravam. A praia estava quase sem movimento.

Raramente passava por mim um carro ou moto. Isto mesmo, os carros e as motos e até os ônibus trafegam pela areia. Mas isto ainda próximo ao centro urbano da ilha. Na maior parte do tempo era como se estivesse em uma praia deserta. Por volta de umas quatro horas de pedal cheguei a um dos canais que poderia estar muito cheio. Não me causou nenhum problema. A água foi apenas até o joelho e só. No outro canal a mesma coisa. Na verdade foi um alívio para mim. Se tivesse que voltar seria bastante difícil, tanto psicológico quanto físico. Já estava um pouco cansado com o quinto dia consecutivo de pedal e a maré cada vez mais alta dificultando um pouco a pedalada.

Mas tudo terminou perfeitamente bem. Foram 51 quilômetros de areia inesquecíveis. Chegando ao extremo sul da ilha, tratei logo de atravessá-la e tomar a balsa para Cananéia. Neste momento chegava ao fim minha cicloviagem.

Autor: Sandro Luis Rodrigues.
E-mail: [email protected]
Cidade/UF: Varginha – MG

Essa dica foi útil para você? Por favor, então deixe um comentário e compartilhe também nas suas redes sociais. Este site é feito com muita dedicação e seu apoio/participação realmente nos ajudará a mantê-lo no ar.



TOP 6 DICAS PARA ECONOMIZAR NAS VIAGENS

  • SEGURO VIAGEM - Não faça a besteira de viajar sem um Seguro de Viagem. Na Europa é obrigatório! Faça uma cotação online para ver o quanto é barato viajar tranquilo. Pague no cartão de crédito em até 12x ou com desconto no boleto bancário. Use nosso cupom: VIAGENS5 para um desconto extra de 5%.
  • HOSPEDAGEM - Somos parceiros do Booking.com que garante os melhores preços de hospedagem em qualquer lugar no mundo! Você reserva antecipado, pode cancelar e alterar quando quiser. Faça a sua reserva através do nosso link.
  • CHIP DE CELULAR - Já saia do Brasil com seu Chip Internacional 4G funcionando. Tenha conexão em mais de 140 países para usar o Whatsapp, redes sociais e GPS. Já usamos o chip da EasySIM4u em diversos países e aprovamos.
  • GANHE 179 REAIS! - O Airbnb é a melhor maneira de alugar casas e apartamentos em locais únicos, com preços para todos os bolsos. Ganhe R$179 de desconto na sua primeira reserva acima de R$250. Aproveite!
  • ALUGUEL DE CARRO - Faça aqui sua cotação online entre as melhores locadoras no Brasil e no mundo. A RentCars é nossa parceira e oferece os melhores preços, em reais e sem IOF, com total segurança.
  • NOSSAS EXPEDIÇÕES - Participe das viagens que estamos organizando com nossos leitores! São roteiros exclusivos com o melhor dos destinos e hospedagens selecionadas. Junte-se aos nossos grupos VIPs e vamos viajar juntos.

LEIA TAMBÉM



Denunciar

Curtiu essa matéria?

Escrito por Mauricio Oliveira

Maurício Oliveira é social media expert, fotógrafo, videomaker, consultor de turismo, blogueiro, influenciador e empreendedor. CEO do Trilhas e Aventuras, conta suas experiências de viagens no blog Viagens Possíveis e criador de inovadoras ações de marketing de turismo, o BlogTur e o VIPBloggers. Ama o que faz no seu trabalho e nas horas vagas também gosta de viajar. Siga no Instagram e no Twitter, curta no Facebook, assista no Youtube e circule Mauricio Oliveira e Trilhas e Aventuras no Google Plus.

Comentários

Deixe um comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Carregando…

0

Costa Rica, Vulcões, Surf, Natureza e outras aventuras – parte 4

De Corinto a Diamantina, pela rota da Maria Fumaça