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Andando pelo trilho de Angra do Reis a Lídice

A caminhada Angra x Lídice ocorreu como o esperado. Na sexta feira, dia 14 de junho, saímos do local do encontro (Carrefour de Vicente de Carvalho) por volta das 21:30h chegamos em Angra por volta das 23:15h e tive que estacionar o carro longe do centro da cidade. Pegamos nosso equipamento no carro e iniciamos a aventura. Já de mochila nas costas, uma idéia na cabeça e muita disposição nas pernas começamos a caminhar inicialmente para chegar até os trilhos do trem que fica no centro de Angra (uma caminhada de menos de 30 minutos).

Eram 00:15h de sábado quando começamos efetivamente a trilha sobre os trilhos do trem. Fomos caminhando até cerca de 03:30h de sábado. Cruzamos por muitas pessoas e tivemos medo de várias delas por causa de nossa posição, de certa maneira vulnerável. Éramos dois estranhos com mochilas e equipamentos em um lugar parecido com uma favela margeando os trilhos, conhecido por eles, desconhecido por nós, e nem sabíamos quem eles eram.

Mas o medo é o que impulsiona a coragem de vencê-lo por isso seguimos adiante. Após termos nos afastado muito das casas da cidade e termos confirmado que não estávamos sendo seguidos fomos procurar um local para dormir. Nós estávamos muito cansados para armar a barraca. Então por isso seguimos minha sugestão de que deveríamos dormir ao relento para não termos muito trabalho ao levantar acampamento bem cedo para continuar a caminhada. Acampamos em 22 58,43` S e 044 17,00` W. Para podermos dormir tranqüilos, sem a presença de cobras, eu aspergi com um borrifador o amoníaco que havia comprado ao redor do nosso “acampamento”. O amoníaco, mesmo após dispersado, deixa minúsculos traços, por cerca de mais de 12 horas, que as cobras conseguem sentir através das suas línguas, seu órgão olfativo, e se afastam mesmo vendo um lugar quente e tentador, como nossos corpos, para aquecê-las.

Eu havia perdido o meu colchonete no Rio de Janeiro então por isso levei um edredom para fazer a vez de colchão dentro da barraca, mas como não armamos a barraca eu me enrolei no meu poncho de viagem, que sempre ando na minha pochete. Me senti aquecido e pude dormir.

Na madrugada vimos e ouvimos um grupo de pessoas que passaram por nós e por isso ficamos apreensivos que elas pudessem ter intenções hostis. Elas viram nossas silhuetas desenhadas na escuridão e no início foram elas que ficaram apreensivas e isso me acalmou mais. Elas conversaram conosco e seguiram seu caminho sem nos causar problemas.

Pela manhã, cerca de 06:30h, ouvi um barulho como o de alguém batendo nos dormentes com uma bengala. Pus o rosto para fora do poncho e vi um senhor de uns 70 anos, andando com dificuldade, se apoiando em uma foice na mão direita e várias touceiras de uma erva, que não sei qual era, na outra mão. Ele conversou conosco disse que havia ido buscar umas ervas para colocar em um ferimento na perna que havia adquirido em um atropelamento e perguntou se éramos malucos por querer andar tanto até Lidice. Apos “A morte” ter ido embora (foi como eu apelidei o senhor idoso com a foice na mão) rimos muito da situação. Comemos sanduíches, bebemos água, levantamos acampamento e fomos embora com o corpo todo dolorido por volta das 07:30h.

Havíamos levado cerca de 2,0 litros de água, cada um, e eu possuía cerca de 3/4 do meu estoque de água. O Vladimir possuía menos da metade de seu “cantil” e eu comecei a ficar apreensivo se haveria água das cachoeiras por perto para nos reabastecer. Até então de madrugada havíamos passado por algumas quedas d`água, mas por estar escuro e pela relativa proximidade da cidade concluímos que se tratava de água contaminada e por isso não nos arriscamos a nos reabastecer. Mesmo porque até então estávamos com nossos estoques quase completos. Para levar água seguimos os conselhos de um amigo nosso que nos disse que a melhor coisa do mundo é, ao invés de levar um cantil, que por sua própria natureza é bem pesado por causa do material de que é feito, levar uma garrafa de água mineral descartável de 1,5 litros na mochila, como reservatório para recarga, e outra garrafa descartável de Gatorade, do tipo usado por ciclistas com bico para se sugar, de cerca de 600 ml em lugar acessível para uso imediato (pochete ou presa na cintura).

Fazendo isso tivemos as seguintes vantagens: ao acabar a caminhada não se leva peso morto para casa, menos um bem material para se preocupar em caso de perda e para fazer suco ou outro preparado eletrolítico para se reidratar e repor sais minerais, não é preciso utilizar toda a água do seu estoque. Outra coisa também que aprendemos que é muito bom para reidratar e repor os sais minerais são os refrescos em pó. No nosso caso levamos vários pacotes de TANG de diversos sabores para fazermos refrescos com a água do cantil menor pelo caminho enquanto caminhávamos, sem ter que parar.

Quando eram cerca de 09:00h chegamos na primeira cachoeira de água potável. Vladmir recarregou seu estoque, mas eu não o fiz. Começamos a ver muitas cachoeiras de água potável para nos abastecer pelo caminho.

Quando eram cerca de 10:00h chegamos a primeira grande ponte, na posição 22 57` 38,9″ S e 044 14` 45,9″ W, que possuía um visual muito legal e atravessamos dois túneis. O trem passava duas vezes por dia, três no máximo. Quando se está no túnel não há problema porque existe lugar onde pode-se espremer na parede do túnel para o trem passar mas é necessário tomar cuidado para não encontrar com ele em cima de alguma ponte pois do contrário não há lugar onde de possa desviar dele. Ou seja, é você abismo de um lado e de outro… e o trem vindo.

Como o trecho total a ser percorrido pela trilha era contante três cartas topográficas eu tirei cópias apenas de parte dessas cartas, mas não observei que a escala de latitude não havia sido copiada na minha xerox e eu não havia tirado cópia de cerca de metade do trecho da trilha. Isso dificultou de tal forma a navegação, para se estimar o tempo restante de caminhada até Lídice, que eu pensei que estávamos a mais de 3/4 do caminho apenas no primeiro dia de caminhada. Só fui perceber o erro quando apareceram mais túneis do que aqueles que eu tinha assinalado nos pedaços de cartas copiadas. Existem ao total 12 túneis em todo o caminho.

Logo após passarmos os dois túneis passamos por uma cachoeira que jorrava suas águas em cima dos trilhos do trem. Passamos cerca de uma hora tomando banho, bebendo água e comendo antes de continuar.

Saímos cerca de 11:30h e acabamos parando cerca de 12:30h. Logo depois chegamos ao terceiro túnel cuja saída é na posição 22 57` 41,5″ S e 044 15` 24,7″ W. Por volta das 15:30 chegamos a uma antiga estação ferroviária abandonada. Por volta de 17:30h cruzamos uma grande ponte que atravessava uma queda d`água.

Na segunda noite caminhamos até cerca de 19:30h e paramos para dormir junto de uma pequena fonte d`água, muito cansados para continuar, na posição 22 54` 11,6″ e 044 15` 08,9″ e lá não havia espaço para armar a barraca. Se tivéssemos andado cerca de mais uns 500 metros, a esquerda, haveria espaço suficiente para armar a barraca e havia uma cachoeira considerável.

No dia seguinte levantamos cedo, por volta das 06:00h, mas só tomamos coragem de levantar acampamento, ou o que se podia dizer de acampamento, lá pelas 07:00h. Por voltas das 10:00h vimos que por cima de nossas cabeças estavam passando fios de alta tensão que iam em direção a Lídice. Quando deu 12:00h em ponto chegamos ao viaduto da rodovia que cortava a linha do trem que para Lídice. Fomos pela estrada e pegamos uma van que ia no sentido de Angra e por ali deu-se por finda a desventura daquele final de semana.

Voltamos para Angra onde peguei meu carro no Colégio Naval e voltamos para o Rio de Janeiro, dia 16 de Junho.

Foram ao total 55 Km em cerca de 2,5 dias. Cheguei em casa por volta das 18:00 horas comi e dormi o dia inteiro, estava todo quebrado, mas com um sentimento de vitória e ansioso pela próxima aventura.

Eu e minha namorada estivemos conversando com um vendedor da loja da Ferrino, no shoping Rio Sul aqui no Rio, que tambem faz caminhadas e nasceu e se criou em Angra dos Reis, sobre a minha caminhada que fiz de Angra a Lidice (relato enviado a vocês em 08/11/2002, neste site).

Ele me informou que o que eu e meu camarada de viagens fizemos é pura doideira porque os locais que nós passamos indo do centro de Angra dos Reis até sair da cidade, caminhando pelos trilhos do trem, é muito perigoso porque esses locais, antes da saida completa da cidade, são locais de desova de corpos e trafico de drogas. Eu havia reparado que as pessoas desses locais ficavam nos olhando espantadas mas não tinha noção do perigo que estávamos correndo.

Bom… quem está na chuva é para se molhar, não???
Agora é agradecer muito a Deus pelo bom término da aventura.
De qualquer forma se resolverem fazer o mesmo trajeto sugiro se informarem antes em Angra dos Reis com se faz para chegar a linha do trem depois da cidade e tentar pegar um taxi até lá.

OBS: Para quem não sabe Ferrino é uma marca de material de caminhada, muito boa por sinal.

Meu próximo relato vai ser de uma caminhada que fiz em Ibitipoca – MG.
Um abraço a todos.

Autor: Nilson Marcelo de Paula.
E-mail: [email protected]
Cidade/UF: Angra dos Reis – RJ

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Escrito por Mauricio Oliveira

Maurício Oliveira é social media expert, fotógrafo, videomaker, consultor de turismo, blogueiro, influenciador e empreendedor. CEO do Trilhas e Aventuras, conta suas experiências de viagens no blog Viagens Possíveis e criador de inovadoras ações de marketing de turismo, o BlogTur e o VIPBloggers. Ama o que faz no seu trabalho e nas horas vagas também gosta de viajar. Siga no Instagram e no Twitter, curta no Facebook, assista no Youtube e circule Mauricio Oliveira e Trilhas e Aventuras no Google Plus.

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