Andando na Lama com seu Offroad





O segmento dos utilitários esportivos é o que mais cresce no Brasil. Em menos de cinco anos, as vendas de carros com vocação aventureira saltaram de 41 mil unidades para cerca de 100 mil no ano passado. Muitos proprietários, porém, nunca fizeram o verdadeiro uso dos recursos off-road de seus SUVs. Então, que tal aproveitar o feriado prolongado e fazer uma trilha na lama?

Antes, porém, fique atento a algumas dicas de especialistas do mundo 4×4 para que um simples passeio não se transforme em pesadelo.

Que carro levar?

Vale lembrar que a questão primordial para quem deseja fazer uma trilha – mesmo as mais fáceis – é ter um carro com tração nas quatro rodas. Não vale a pena arriscar seu Gol, Palio ou Ka na lama, nem arriscar o brilho da lataria do seu sedã.

Alguns exemplos de carros novos prontos para trilhas off-road leves: as picapes 4×4 Chevrolet S10, Dodge Ram, Dodge Dakota, Ford Ranger, F-250, Mitsubishi L200, Nissan Frontier, Toyota Hilux; os SUVs Chevrolet Blazer (4×4), Hyundai Santafe, Hyundai Tucson, Kia Sportage, Jeep Cherokee, Mitsubishi Pajero Full, todos os modelos da Land Rover, Porsche Cayenne, BMW X5 e X3, VW Touareg, Toyota Hilux SW4; e os crossovers Chevrolet Tracker, Suzuki Grand Vitara, Jeep Wrangler, Mitsubishi Pajero TR4, Nissan X-Terra e Troller T4.

Carros como Volkswagen CrossFox, toda a família Adventure da Fiat e grande parte dos Ford EcoSport (exceção feita ao modelo 4×4), além de outras versões para aventuras light encontradas no mercado, não foram concebidas para encarar uma trilha.

Revisão evita dor-de-cabeça

A primeira providência é fazer uma revisão no carro, conferindo os níveis de óleo no motor, câmbio e diferenciais, fluido de freio, água do motor e a condição da embreagem – muito exigida nesse tipo de uso.

“Também é importante saber para onde se vai e ter certeza que os pneus são adequados ao tipo de piso a ser enfrentado”, afirma João Roberto Gaiotto, que há dez anos é professor de técnicas off-road. “Encarar uma trilha muito enlameada com pneus de uso misto ou para asfalto pode trazer sérios riscos”, alerta. Como a grande maioria dos SUVs vem de fábrica com pneu misto, fuja das trilhas cobertas de muita lama.

Outra dica importante é nunca se aventurar sozinho. “Ninguém, nem os mais experientes, deve fazer trilhas desacompanhado. A presença de ao menos outro carro é fundamental para auxiliar em procedimentos como desatolar e rebocar”, diz Armando Duarte, instrutor de pilotagem 4×4. “E sempre com o carro mais potente abrindo a trilha, pois terá mais facilidade de rebocar o outro”.

É importante também avisar alguém da família ou um amigo para onde está indo e a previsão de retorno. “Contar com a telefonia celular em trilha é uma temeridade, é fácil entrar em zonas de sombra onde nenhuma operadora tem sinal”, fala Gaiotto.

Entre os itens indispensáveis estão: cinta de nylon para reboque ou corda, pás dobráveis, rádio comunicador (walkie talkie), luvas de couro grosso, lanterna, calibrador e, para os mais precavidos, um spray reparador de pneus (daqueles que inflam e tapam o furo do pneu ao mesmo tempo).

Você tem fome de quê?

“É bom não esquecer de levar comida, salgadinhos, barras energéticas, chocolates, bolachas, água, refrigerante e sucos”, afirma Duarte. “As condições climáticas podem mudar a qualquer momento e uma aventura que duraria duas horas com o terreno seco, pode levar mais de seis horas com a lama.”

E quando estiver em dúvida de qual lado da trilha escolher não hesite em descer do carro para analisar as condições do piso. “Se há risco de encalhar, o condutor deve procurar saber como fará para sair dali se algo der errado”, diz Gaiotto.

Mesmo seguindo todos os passos da cartilha do off-road a chance de você atolar é grande – afinal, essa é uma das graças da aventura. Não se desespere nem pressione o acelerador na esperança de sair do atoleiro rapidamente. “Procure não cavar (aumentar o buraco com os pneus girando em falso), uma vez que eles estão lisos pelo barro e com pouca aderência”, ensina Duarte.

“A primeira providência é baixar a pressão dos pneus (varia conforme o modelo, mas em média para 20 libras) e procurar objetos que possam ajudar a dar aderência, como pedras, madeira, capim e areia”, afirma Duarte. “Procure fazer movimentos para trás e para frente, aumentando a distância gradativamente até conseguir sair. Se não resolver, será preciso rebocar.”

O risco dos riscos

É bom frisar que o carro estará sujeito a pequenas avarias na prática do off-road. Riscos na pintura, ocasionados pela lama, raspões na parte debaixo da carroceria e eventuais amassados na lataria não são raros nesse tipo de diversão.

E depois de proporcionar várioas emoções diferentes, o carro merece atenção especial. Uma higienização completa, nos casos extremos incluindo a lavagem do motor, é fundamental. Cuide bem do carro, pois quem pratica o esporte afirma que é impossível fazer apenas uma trilha. Ou seja, ele tem de estar em ordem para a próxima trilha.

Caso você queira partir para trilhas mais avançadas é recomendável se inscrever em um curso de técnicas de pilotagem 4×4. Só assim poderá aprender rapidamente todos os macetes do esporte e partir para aventuras radicais no mundo 4×4.

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Mauricio Oliveira: Maurício Oliveira é social media expert, consultor e influenciador de turismo e empreendedor. CEO do portal Trilhas e Aventuras, também conta suas experiências de viagens pessoais no blog Viagens Possíveis. Especialista em Expedições na Rota das Emoções e Lençóis Maranhenses. Ama o que faz no seu trabalho e nas horas vagas também gosta de viajar. Siga no Instagram, curta no Facebook, assista no Youtube.