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O melhor do Rio de Janeiro não está nos guias de viagem. Alguns pontos conservam o charme imperial e ainda têm aquele quê de ousadia. Confira como fugir do tÃpico roteiro de turista e encarar os programas bem cariocas |
DifÃcil falar sobre sua cidade sem ressaltar exageradamente as qualidades ou acabar vendo pêlo em ovo para criticar algo que só enxerga quem vivencia todo dia o mesmo problema. Mas não tem jeito. É assim. Carioca que é carioca, como eu, pode até aceitar que falem mal de sua terra, mas desde que seja outro conterrâneo, e olhe lá! É uma panelinha natural dos nativos de qualquer destino, certo? Para uns, o bairrismo é mais acentuado. Para outros, não. No caso do Rio é forte, sim, e ponto.
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Praticamente todos os dias, reportagens são publicadas contando algo bastante violento, mas, mesmo assim, os turistas não param de desembarcar na cidade. Como queremos livrar você de “furadasâ€, preparamos um roteiro indicando onde e quando ir, quem freqüenta determinado lugar e como se divertir na Cidade Maravilhosa.
Nossa programação é baseada no dia-a-dia dos cariocas que conhecem o lugar como a palma da própria mão e que querem que você curta o que há de melhor neste paraÃso.
Dia de luz, festa do sol
A primeira dica é: acostume-se com o ritmo da cidade. Chegar à praia de Ipanema (o agito é mesmo por lá) antes das 14 horas no fim de semana não está com nada. Você encontrará a areia lotada, mas, do povo que realmente interessa, só vai ver meia dúzia de gatos pingados. A noitada ou night (balada é coisa de paulistano) começa tarde e vai até de manhã cedo. Por isso, antes desse horário o pessoal ou está dormindo ou se recuperando da farra com um bom desjejum.
Nesse caso, a dica pré-praia é um brunch no lounge do casarão do Parque Lage, ou, se não quiser ir até lá, experimente tomar um café da manhã no Supermercado Zona Sul, da Rua Gomes Carneiro, próximo à Praça General Osório. Os sucos são sempre frescos e os pães quentinhos.
Depois de bem alimentado, capriche na proteção solar e escolha o point que mais lhe apetece. Toda a orla é bastante democrática e cada posto tem um tipo de galera. O mais tradicional e conhecido (muito freqüentado por gringos) é na altura da Farme de Amoedo, tradicional rua gay de Ipanema. Mas, por conta de alguns ataques depitboys recalcados e porque nem todo mundo curte o clima de caça, muitos nativos deixaram de tomar sol ali.
De uns tempos para cá, o Coqueirão, uma região da praia com palmeiras bem altas – quase em frente à Rua Joa na Angélica –, virou ponto de encontro GLS, com muita gente linda, bronzeada e bem descolada. Há ainda aqueles que preferem uma certa calmaria e se instalam diante do hotel Arpoador Inn. O melhor é que alguns globais batem cartão ali também.
Escolhido o lugar, relaxe e entre na onda. A praia é a extensão das residências de quem vive no Rio e, por isso, é mais comum do que você imagina fazer novas amizades e paquerar à beira-mar. Em geral o visitante adota uma barraca na areia e um ponto fixo para ficar. Assim, quando encontrar algum conhecido ou amigo por acaso fora da praia, pode marcar: “te vejo lá na barraca do fulano amanhãâ€. Isso é muito comum, não estranhe. Para melhor se localizar, a maioria usa também os prédios como referência e diz: “estou na barraca do fulano, em frente ao quarto prédio, da direita para a esquerda, da Joana Angélicaâ€. Não é tão complicado quanto parece.
Hora de barbarizar!
A tarde cai e o pôr-do-sol escandaloso esbarrando no Morro Dois Irmãos recebe aplausos dos espectadores. Não importa se você tem o privilégio de ver aquele espetáculo todos os dias, sempre é um absurdo de lindo! Por isso, o dia na praia não acaba enquanto o último raio de sol insistir em brilhar. O que rola depois vai depender de como o corpo está.
Alguns partem direto para um barzinho (confira boas opções em Comidinhas e Bebidinhas na próxima página). O Informal é sempre uma opção. O clima que dá nome a casa é real. No balcão são servidos petiscos como tiras de filé mignon com queijo e bolinho de carne-seca – com chope, claro.
Já outros preferem descansar um pouco em casa e recarregar as baterias para a noitada (que sempre promete). Como toda cidade, os clubes e boates do Rio também têm um dia especÃfico com a melhor festa.
Há vida fora da zona sul: rotas alternativas
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Embora muitos não saiam da zona sul para praticamente nada, a Lapa, o Centro e Santa Teresa também merecem ser visitados. Ãreas tradicionalÃssimas da boemia carioca, os bairros hospedam museus, ateliês, brechós e muitos bares e restaurantes para todos os gostos.
Conheça alguns programas para quem quer fugir da praia ou para o caso de São Pedro enviar as tradicionais chuvas de março justamente durante sua visita ao Rio:
• As manhãs do fim de semana podem começar com um passeio na Lagoa Rodrigo de Freitas. O ambiente é ideal para caminhar, dar uma volta de bicicleta ou praticar cooper. Um passeio de pedalinho (em formato de cisne) também é uma ótima opção. Você terá uma visão do Rio à qual normalmente não está habituado.
• No Morro Dois Irmãos há um mirante (com acesso pelo Alto Leblon) de onde se pode avistar as praias da zona sul e o Recreio.
• Depois da praia ou nos dias chuvosos, a Livraria de Travessa é um ponto de encontro. Além de tomar um bom café, você pode conferir eventos como lançamentos de livros e pocket shows musicais.
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Comidinhas e bebidinhas
• Ponto de boemia e boa gastronomia, o Baixo Gávea possui vários restaurantes que servem grelhados em um esquema meio fast-food. O cardápio dos bares é quase o mesmo, com destaque para o galeto e a lingüiça – acompanhados de chope (sempre!). Nos fins de semana, a disputa por mesas é muito grande. Lá estão os restaurantes Braseiro e Hipódromo.
• Um dos melhores couverts é o do restaurante Bazar, em Ipanema. A casa abre do meio-dia às 2 da manhã.
• O chamado Baixo Leblon reúne uma esquina clássica, com as pizzarias Guanabara e Diagonal. Aliás, as casas não fazem apenas pizzas. O Diagonal Grill traz em seu cardápio massas, carnes e aves, e a Guanabara serve também petiscos – embora os pedaços avulsos sejam o melhor acompanhamento para o chope. Muita boemia até altas horas. É bem tÃpico o carioca comer no balcão de fora, mesmo enquanto troca idéia com os amigos.
• A Academia da Cachaça mantém uma das melhores cartas da bebida tÃpica do PaÃs. A marca tem duas casas no Rio, uma no Leblon e outra na Barra da Tijuca. Além das “purinhasâ€, são servidos pratos da culinária brasileira como feijoada e escondidinho e drinques como a caipirinha de lichia.
• Tão tradicional quanto o chope carioca é o bolinho de bacalhau. Um dos mais procurados entre os restaurantes mais novos é o Bacalhau do Rei, na Gávea.
• Entre os restaurantes árabes, o destaque é o Amir, em Copacabana, que serve pratos árabes, libaneses e petiscos marroquinos deliciosos.
• Ainda em Copacabana, a proposta kitsch é levada a sério na decoração do The Copa. O ambiente foi planejado com bancos altos e um piso quadriculado, além dos detalhes em cada canto do bar. As bebidas não poderiam ser tradicionais – há um cuidado com as cores e a decoração de cada drinque. Indicado para pré-noitada e para quem quer conferir o som dos DJs provando um dos sanduÃches com nomes de Ãcones pop.
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• O ambiente do Miam Miam, em Botafogo, lembra um sala de estar, onde são servidas carnes, massas e pescados. O estilo confort food é um convite a refeições sem pressa, com pratos tradicionais lembrando a culinária caseira. Todos os móveis são antigos e estão à venda, dando ao lugar um ar de antiquário. Um dos destaques é o drinque Ruela, com vodca, limão, grenadine e gengibre.
• A culinária portuguesa do clássico Antiquarius pode ser provada também no Da Silva, com duas casas – uma no Centro e outra em Ipanema. Além dos pratos lusitanos, a casa mantém um espaço para degustação de vinhos e umlounge.
• O Alessandro e Frederico, em Ipanema, é um dos espaços onde se pode tomar café da manhã até um pouco mais tarde. A casa mantém um cardápio de pães, paninis, omeletes, sopas e sanduÃches. A pizzaria da franquia, localizada na mesma rua, oferece pizzas especiais e uma grande variedade de antepastos. Destaque para a decoração.
• Bar D’Hotel, localizado no Hotel Marina, no Leblon, é sempre in. Além dos turistas e da vista para a praia, muitos moradores do Rio encontram no espaço um ambiente requintado, com drinques variados.
• A história do Rio de Janeiro foi alimentada por alguns restaurantes, como o Café Lamas, no Flamengo, e o Bar do Luiz, no Centro. Com mais de cem anos de tradição, os espaços receberam personalidades polÃticas e artÃsticas em diferentes perÃodos. Outro ponto em comum é o atendimento. Muitos garçons trabalham há mais de 20 anos nas casas, o que garante uma identificação com o ambiente, os pratos e as famÃlias que as freqüentam.
• Quiosque na Lagoa Rodrigo de Freitas (próximo ao pedalinho), o Palaphytas tem um ar indiano e é um espaço indicado para drinques, como exóticas caipirinhas servidas à luz de velas.
A fome bateu na praia?
O clássico Biscoito Globo é quase exclusivo do Rio de Janeiro. Trata-se de um biscoito de polvilho doce ou salgado que costuma ser consumido com mate gelado no galão. Na areia também é tÃpico comer o queijo coalho na brasa e o açaà das barracas e dos quiosques.