Situada nos Andes Bolivianos, a Cordilheira Real é uma impressionante cadeia de montanhas com picos nevados que ultrapassam os 6000m. Em julho desse ano eu mais 3 amigos, (Ricardo Dantas, Marco Barbuio e Luiz Guimarães) programamos uma viagem a esse lugar com o objetivo final de atingir os 6088m do cume norte do Huayna Potosí que é uma montanha que não exige um alto grau técnico mas um bom preparo físico e principalmente uma boa aclimatação para se alcançar o pico. A viagem foi dividida em 3 partes, a primeira parte da aclimatação que foi feita com alguns trekkings e caminhadas pelo altiplano boliviano entre 3600 e 4200m, e uma fácil subida em Chacaltaya a mais de 5000m, a segunda parte fomos ao parque nacional Condoriri, onde escalamos duas montanhas para adaptarmos a exigente altitude e ao clima hostil que encontraríamos no resto da empreitada e finalmente a última parte, a escalada do Huayna Potosí.
La Paz
Mercados de rua em La Paz
Nossa Senhora de Copacabana
O início da viagem começou seis meses antes com a preparação física, o estudo da região e das montanhas, os equipamentos que íamos usar e o percurso a percorrer para a adaptação ao ar rarefeito. Partimos de São Paulo no dia 5 de julho e pela noite já pisávamos em solo boliviano ao desembarcar no aeroporto mais alto do mundo. La Paz, a capital boliviana encontra-se dentro de uma cratera, paramos a van que nos levava ao centro e tivemos uma vista espetacular da cidade vista de “El Alto” um município que rodeia a capital. La Paz com 1,2 milhões de habitantes é uma cidade de contrastes, prédios modernos e imponentes se espremem diante de milhares de ambulantes, camelôs e barracas vendendo nas ruas todo tipo de providencia: frutas, legumes, peixes, roupas, eletrônicos, etc; é raro ver um supermercado por lá.
População estimada em 80% indígena
Lago Titicaca
Em um país formado por 80% de indígenas e mestiços, encontramos os Aymarás, mais freqüentes nessa província (estado), com sua cultura pré-incaica eles dominam a região há 2300 anos, possuem um dialeto próprio e complexo e que hoje já é ensinado nas escolas. Nas ruas um fato característico são as “Cholas”, mulheres que carregam nas costas em panos super coloridos todo tipo de coisa, inclusive seus filhos, usam sempre chapéu, vestimentas de cores vivas e tranças compridas. Nos hospedamos em um “Hostal” simples mais confortável, perto do “Mercado de las Brujas” (mercado das bruxas), uma rua onde se encontra espalhados no chão ou em tendas vários artigos para feitiçaria, ervas, fetos de Lhamas e até morcegos ressecados, passamos o segundo dia caminhando por La Paz.
Ilha do Sol
Ilha do Sol
Ilha do Sol
Nevado Illampú ao fundo
No terceiro dia tomamos um ônibus para a região de Copacabana, cerca de 6 horas, para caminharmos um pouco na altitude e acelerar o processo de aclimatação, chegamos por volta das 2 da tarde e partimos para “Horca Del Inca” um santuário de pedra usado pelos Incas na antiguidade como observatório astronômico muito importante para agricultura e ritos religiosos. Em uma hora estávamos no alto das ruínas, acompanhados de um guia “José”, uma criança com cerca de 7 anos, que nos seguiu rumo ao alto e nos impôs agradavelmente seus “serviços”, segundo José dali era oferecido pelos Incas ao sol e a lua honrarias com sacrifícios humano. Do alto pudemos avistar a baía de Copacabana banhada pelo lago Titicaca com suas dimensões oceânicas (8340 Km2), descemos até a basílica da Virgem de Candelária construída entre os Séc. XVI e XVII, uma ostensiva igreja em estilo barroco, herdado pelo domínio espanhol. Subimos ao Cerro Calvário, uma pequena serra que termina em um mirante antigo e por onde passa muitos peregrinos que sobem por um antigo caminho de pedra, optamos em subir por outra trilha íngreme de terra serpenteando até o mirante, dali tivemos uma vista privilegiada do lago.
Parque Nacional Condoriri
Vilarejo de Tuni
O quarto dia começou cedo, e então tivemos a primeira baixa, o Luiz acordou com forte dor de cabeça e enjôos. Partimos em busca de uma embarcação rumo a parte norte da “Isla Del Sol” uma porção de terra emergindo nas águas transparentes do lago e compondo um pequeno arquipélago de ilhas tão lindas quanto sagradas para os povos pré-colombianos.
Acampamento Condoriri
Parque Nacional Condorir
Optamos por descer na parte norte em um vilarejo. O Luiz que não estava bem fisicamente retornou com o barqueiro a cidade e nos esperou por lá. A trilha era atravessar a ilha de norte a sul. Ao desembarcar no píer norte, nos deparamos com um cenário insólito, a cor da água nas margens variava entre o verde esmeralda e um turquesa irresistível. As pessoas que habitam a ilha vivem, apesar da terra árida, do cultivo de arroz e batatas e da criação de ovelhas e lhamas e cujo senso de civilização está bem longe do nosso. Margeamos o lago em 4 horas, entre subidas e descidas, com muitas paradas para fotos, a ilha se mostra em um cenário exótico com um ar de misticismo e mistério e que guarda aos visitantes tradições únicas e tesouros arqueológicos de sua antiga civilização. Chegamos ao sul da ilha e retornamos a Copacabana no final da tarde, encontramos com o Luiz e partimos novamente para La Paz em uma van, super apertada, dividindo o espaço com mais 12. No caminho de volta tive uma forte dor de cabeça e junto com o Luiz fizemos algumas paradas por conta dos vômitos e da diarréia incessante, chegamos na cidade pela noite.
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