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Barreirinha, 11 de Fevereiro de 2003
Murici, guajuru, cupuaçu e até mesmo a nossa acerola, nome mais comum aos nossos ouvidos, indicam para aqueles que vivem na região Sudeste que estamos em outro Brasil. Mas não somente a diversidade de frutas exóticas comprovam este perfil diferente do país, mas o sotaque do povo e as paisagens que mais lembram um deserto, como é o caso dos Lençóis Maranhenses.
Há 280 km de São Luis / MA em uma ótima estrada, o ponto de apoio para o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é a cidade de Barreirinhas/MA, a qual já possui várias pousadas, guias e um sistema de transporte que permite o ecoturista chegar nas principais atrações do parque.
Assim que chegamos, decidimos que nosso carro seria o principal meio de transporte para percorrer parte dos 155 mil hectares do parque. Para aqueles que vem de avião, ou mesmo não tem um carro 4x4, indispensável aqui, a cidade possui uma verdadeira frota de jeeps equipados, são os "toyoteiros". Acompanhados do guia Maciel, entramos num emaranhado de trilhas de acesso muito difícil. Neste primeiro dia nosso objetivo era conhecer as principais lagoas formadas pelos Lençóis (Lagoa da Esperança, Bonita, Azul e do Peixe). Andamos cerca de 70 kms no meio de muita areia e áreas alagadas, sendo que a água chegava a passar por cima do capô do nosso Land Rover, o uso da tração foi decisivo. Mas a coloração de cada lagoa e sua beleza são indescritíveis.
Nosso próximo roteiro era chegar no povoado de Queimada dos Britos, um verdadeiro oásis com dunas por todos os lados. E o trajeto até este local ainda foi mais difícil. Primeiro rodamos nas precárias trilhas de areia fofa, atravessamos rios e grandes áreas alagadas por mais de 100 km. Deste ponto em diante não era possível avançar com nosso off road. Caminhamos por quase 4 hs em meio as dunas e várias lagoas, mas desertas, e longe da visitação dos turistas. A semelhança com um deserto, pelo menos no ponto de vista visual é tamanha. Segundo estudos as grandes dunas são originadas das areias do Deserto do Saara, na África, que percorrem muitos quilômetros até se depositarem aqui no Maranhão.
É impressionante caminhar num "mundo" de areia e encontrar um oásis totalmente isolado e com habitantes nativos. Deixamos o conforto de nossa pousada com ar condicionado, frigobar e etc...para dormir em uma rede na casinha feita de folhas de Buriti (semelhante as folhas de coqueiros). Os nativos vivem da pesca (já que a praia está a 1 hora de caminhada) e da criação de pequenos animais (cabras, galinhas, patos, porcos).
Hospedado como convidados na pequena cabanas, Fábio e eu comermos peixe frito, arroz e farinha de mandioca. Logo em seguida tivemos um animado papo com os moradores. E pergunto:mas por que morar em um lugar tão afastado? E Aldo Correia, o chefe da família responde: "tranquilidade. Não precisamos de grades, polícia, nada. Nossos filhos podem brincar soltos e sem preocupação. Nossa obrigação é trabalhar para o nosso sustento e nossa satisfação é ser feliz!!! Precisa mais?
DICAS:
Guia: Maciel 98 349.1920 - é imprescindível para qualquer roteiro a presença de um guia.
Onde Ficar: Pousada do Rio em Barreirinhas / MA - Tel.: (98) 349.1255
Dica Fora de Estrada. Para andar com o seu veículo off road sobre areia, esvazie os pneus (algo em torno de 15, 20 libras)
CURIOSIDADES:
Peixe nas Lagoas? Um grande número de lagoas dos Lençóis Maranhenses secam, mas com a estação chuvosa tornam-se a encher. Como sempre existem peixes nestas lagoas? Os ovos são colocados e ficam no fundo em uma camada argilosa existente que mantém a umidade até que as lagoas voltem a encher.
Um abraço do tamanho do Nordeste.
Autor: Guilherme Rocha
E-mail: guilherme.rocha@360graus.com.br
Site: http://www.guilhermerocha.com.br
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